SÃO PAULO (Reuters) - Autoridades, familiares e admiradores se despediram nesta sexta-feira da fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns Neumann, vítima do terremoto que abalou o Haiti nesta semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou a Curitiba e, emocionado, cumprimentou os familiares durante o velório no Palácio das Araucárias, sede do governo paranaense. Ele estava acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Ela é "uma mulher exemplar na luta pela solidariedade", disse Lula mais cedo em um evento no Maranhão.

Zilda estava em missão humanitária no Haiti quando morreu pelo forte terremoto. Ela participava da Conferência dos Religiosos daquele país e trabalhava para motivar os líderes e voluntários da Pastoral que amparam crianças, gestantes e famílias.

Seu corpo foi trazido por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) de Porto Príncipe e chegou na madrugada desta sexta-feira a Brasília, de onde levado a Curitiba.

O enterro será sábado no Cemitério Municipal Água Verde, após uma missa de corpo presente, e reservado a familiares e amigos mais próximos.

Quatorze militares brasileiros que integram as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no país --Minustah-- também morreram na tragédia. Outros quatro continuam desaparecidos.

O Brasil lidera a missão de estabilização criada em 2004 para restaurar a ordem no Haiti e tem 1.266 militares no país. A Minustah tem contingente de cerca de 9.000 pessoas, sendo pouco mais de 7.000 militares de diversas nacionalidades.

O tremor de magnitude 7 foi o maior no país em mais de 200 anos e pode ter matado dezenas de milhares de pessoas. O governo haitiano disse que o número de mortos pode subir para 200.000 e que 40.000 mortos já foram enterrados.

Zilda Arns Neumann, de 75 anos, tinha cinco filhos e dez netos. Ela criou a Pastoral da Criança em 1983, e a iniciativa chegou a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

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