BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta segunda-feira durante reunião ministerial que a equipe acelere a execução de investimentos até o final do seu mandato a fim de manter a economia aquecida. Essa foi a primeira reunião ministerial desde que 11 ministros deixaram o Executivo para disputar as eleições de outubro. Ministérios estratégicos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sob novo comando, como a Casa Civil, Minas e Energia, Transportes e Integração Nacional.

"Tem uma preocupação muito grande do presidente, como prioridade deste ano, a gente manter a economia num ritmo acelerado. O presidente está muito convencido de que o ano de 2010 vai ser ainda melhor que 2009", disse a jornalistas o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), após o encontro.

"O presidente fez questão de dizer aos ministros que as obras do PAC são prioridades nos ministérios."

O presidente também pediu aos auxiliares que foquem os programas já em andamento em vez de criarem novos projetos. O ministro contou que ele disse que quer inaugurar obras até dezembro, último mês do mandato, e cobrará a presença dos ministros nos Estados para que os projetos andem.

Segundo Padilha, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, demonstraram otimismo aos colegas quanto à situação da economia doméstica quando perguntados se havia preocupação em relação ao déficit de conta corrente do país e também reafirmaram que o Brasil cumprirá a meta de inflação.

"O Brasil está muito seguro para enfrentar essa situação (déficit de conta corrente), que decorre muito mais do desaquecimento da economia internacional e da robustez da economia nacional do que de situações como as de governos anteriores", argumentou o ministro das Relações Institucionais, acrescentando que parte da alta das importações deve-se à compra de máquinas e investimentos realizados no país.

Padilha lembrou ainda que o Brasil tem cerca de 240 bilhões de dólares de reservas internacionais.

ELEIÇÕES

A reunião contou também com uma exposição do advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, sobre a cartilha elaborada pelo órgão para evitar problemas com integrantes do governo na Justiça Eleitoral. Lula, que já tomou duas multas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda eleitoral antecipada, pediu aos ministros que priorizem as ações de governo e respeitem a legislação.

"A orientação geral do presidente aos seus ministros é que a gente cumpra rigorosamente aquilo que estabelece a lei eleitoral."

Segundo Padilha, a principal dúvida dos ministros é sobre a regulamentação da publicidade institucional durante o período eleitoral.

A Advocacia-Geral da União e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência orientarão os ministérios a consultar a Justiça Eleitoral sobre o que é permitido ou vedado durante a campanha.

(Reportagem de Fernando Exman)

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