Lula estreia na Sapucaí; Grande Rio tropeça apesar de luxo

Por Maria Pia Palermo e Pedro Fonseca RIO (Reuters) - Com a bênção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela primeira vez na Sapucaí, o Império Serrano abriu neste domingo, sem muito luxo, os desfiles da elite do Carnaval carioca com o canto da sereia, relembrado em coro pelo público. Em contraste, a Grande Rio esbanjou no brilho para trazer a França ao Brasil, mas teve problemas em sua passagem pela avenida.

Reuters |

Lula, vestido de branco e com um chapéu Panamá, desembarcou no sambódromo nos início do desfile da primeira escola. Acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, e do governador Sérgio Cabral, o presidente apareceu algumas vezes para o público e acenou do camarote do governo estadual. Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), o presidente participaria de uma cerimônia de casamento do intérprete Neguinho da Beija-Flor, na avenida.

Durante a passagem da Grande Rio, a primeira-dama, quebrou o protocolo e desceu do camarote para sambar, cercada de seguranças, mas sem a companhia de Lula. Dona Marisa repetiu a dose na passagem da Vila Isabel, terceira escola da noite que cantou os 100 anos do Theatro Municipal carioca, e não perdeu a chance de saudar o cantor Martinho da Vila.

Apesar de um desfile com fantasias e alegorias simples, o Império Serrano, que subiu neste ano para o Grupo Especial, recebeu o caloroso apoio do público que, em coro, relembrou o samba de 1976. Mas isso pode não ser suficiente para garantir uma boa colocação.

"Ela mora no mar, ela brinca na areia" levantou o público e emocionou o único ainda vivo dos três compositores do música. "É a maior emoção da minha vida. Tanto tempo depois e o público ainda lembrar desse jeito". disse ao término do desfile Vicente Matos, 70 anos, que compôs "A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar".

Pelas mãos da Grande Rio, o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel passaram pela avenida, entre outros símbolos da França, como o famoso Moulin Rouge, em um desfile marcado pelas cores da bandeira francesa (azul, vermelho e branco), luxo das fantasias e grandiosidade dos carros. Mas houve alguns tropeços.

"Problemas técnicos, infelizmente, acontecem", disse à Reuters o carnavalesco Cahê Rodrigues, referindo-se ao carro da Torre Eiffel que passou pela avenida apagado.

Além disso, o destaque do carro da comissão de frente da escola de Caxias sofreu uma queda diante dos jurados. "Eu caí. Isso é o bonito do Carnaval, ele é vivo. Eu caí e levantei", disse Bruno Cezario. Outro contratempo foi a quebra na dispersão do aguardado carro com bailarinas do Moulin Rouge de Paris, que forçou as dançarinas de cancan, cuja fantasia custou mais de 30 mil reais, a descerem às pressas para não extrapolar o tempo de apresentação da escola.

"A escola passou vibrante, alegre, cantando. A Grande Rio deixou seu recado", disse o carnavalesco, que não viu o tombo do destaque, mas reconheceu que pode custar pontos à escola. A Grande Rio, com enredo "Voilá, Caxias! Para Sempre Liberté, Egalité, Fraternité, Merci Beaucoup, Brésil! Não Tem de Quê", foi única a receber patrocínio de empresas (francesas), entre as 12 que desfilam na elite.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier)

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