BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passará a ter reuniões semanais com representantes da cúpula do PMDB para tentar resolver os impasses eleitorais que o partido aliado tem com o PT nos Estados, disse nesta quinta-feira o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O objetivo do governo é impedir que esses atritos atrapalhem a campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência da República.

"A disposição do presidente é conversar e ajudar a decidir onde precisa", destacou Jucá a jornalistas depois de participar de reunião com Lula, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

"Toda semana vamos nos sentar com o presidente para conversar sobre o quadro", disse, complementando que as direções dos dois partidos farão um encontro nos próximos dias para fazer uma radiografia sobre a situação das alianças locais.

As duas siglas, que no ano passado fecharam um acordo pré-eleitoral, ainda não construíram entendimentos em diversos Estados, como Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Ceará.

Para Jucá, petistas e peemedebistas mineiros devem se entender. No Pará e no Ceará há possibilidade de acordo, disse, mas ainda há negociações pendentes. Já nos outros três Estados os dois partidos não devem seguir juntos.

O líder do governo contou ainda que nas próximas reuniões as duas legendas estabelecerão "regras de convivência" para as campanhas nos Estados onde PT e PMDB não fecharem alianças.

VICE E MINISTÉRIOS

Jucá reiterou a disposição da cúpula do PMDB de indicar o presidente do partido para a vice de Dilma, descartando a possibilidade de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ocupar a vaga.

"Isso é matéria vencida para nós. O Meirelles é um candidato forte a governador ou senador por Goiás", sublinhou. "Esta matéria já está bem explicitada."

Ele contou ainda que o presidente Lula assegurou que o PMDB deve manter o controle dos ministérios que atualmente comanda, se os ministros filiados ao partido deixarem os cargos no início de abril para poderem disputar as eleições.

"Os espaços políticos vão ser mantidos e haverá continuidade do trabalho. Os ministros serão ouvidos", disse, complementando que, "em princípio", os sucessores nos ministérios serão os secretários-executivos das pastas.

"É a indicação do ministro, a chancela do partido e a decisão do presidente."

O PMDB controla seis ministérios: Agricultura, Defesa, Comunicações, Minas e Energia, Integração Nacional e Saúde.

(Reportagem de Fernando Exman)

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