Lula e García acertam acordos na área de energia e de fronteira

RIO BRANCO, Acre (Reuters) - Os presidentes do Peru e do Brasil se encontraram nesta terça-feira para discutir acordos bilaterais de integração social e econômica. A futura construção de hidrelétricas através de um sistema de investimento mútuo e a desobstrução dos trâmites burocráticos fronteiriços foram os dois principais pontos tratados. A concretização das propostas, agora, depende do encontro técnico coordenado pelos chanceleres Pedro Sanches e Celso Amorim, no próximo mês, em Machu Pichu, no Peru.

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Lula chegou a dizer que quer "sair da fase do protocolo (de intenções)" no final do ano, quando visitará o Peru, e entrar na fase de integração regional.

Sobre a intenção de uma integração energética, os presidentes apenas acertaram a construção de hidrelétricas. Lula disse que a estatal Eletrobrás e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devem participar do processo.

Os presidentes também prometem abolir o transbordo de carga de caminhões que acontece atualmente nas fronteiras. Os carros poderão atravessar as aduanas mesmo quando não forem dirigidos pelos seus proprietários e as carteiras de habilitação terão validade nos dois territórios.

Acompanhado de seis ministros e vários governadores, Alan García falou da importância da Transoceânica, rodovia que liga o Acre ao Oceano Pacífico, inaugurada em 2008 e que está praticamente pronta.

"Eu vim aqui para dar conteúdo humano e econômico à obra. Estamos trabalhando fortemente pela interligação das nossas estradas, mas também pela integração elétrica e dentro de pouco tempo teremos acordos concretos para a construção de hidrelétricas que beneficiem ao Brasil e ao Peru", disse García em Rio Branco, capital do Acre, onde os dois presidentes se reuniram.

Para Lula, "com a Transoceânica, estamos prontos para fazer uma integração econômica e social".

Os dois presidentes trataram também da necessidade de um câmbio direto entre as moedas real e sol, peruano.

"É absurdo que ainda usemos o dólar como divisa intermediária para fazermos os nossos negócios. Nós queremos comprar produtos brasileiros com reais e vendermos os nossos com soles", afirmou o peruano.

O presidente Lula ainda mencionou a necessidade da integração comercial. "É um absurdo os brasileiros da região Norte comprarem em São Paulo, quando existem locais no Peru muito mais próximos", disse.

(Reportagem de Nelson Liano)

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