Lula e Cristina Kirchner aparam arestas comerciais

BUENOS AIRES (Reuters) - Os presidentes do Brasil e da Argentina se reuniram na quinta-feira para aparar arestas do comércio bilateral, resultantes de medidas consideradas protecionistas em ambos os lados da fronteira e que provocaram conflitos entre industriais. Durante a reunião em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua colega Cristina Kirchner também aproveitaram para descartar rumores sobre uma suposta iniciativa de Brasília para aproximar a Argentina dos Estados Unidos.

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Ambos afirmaram que a crise internacional levou os dois países a modificarem algumas políticas. "Vivemos realidades que não foram geradas por nós. Cada vez que tivermos problemas faremos reuniões e encontraremos soluções", disse Lula em entrevista coletiva na Casa Rosada.

"Teremos que entender que nossa integração tem de ser mais produtiva, com muito menos desconfiança e com muito mais investimentos dos dois países", acrescentou.

O encontro é parte de um cronograma de reuniões bilaterais semestrais onde os dois principais sócios do Mercosul (os outros são Uruguai e Paraguai) discutem sua agenda bilateral.

"A crise internacional obriga todos os países a disporem de medidas que têm a ver não com a proteção ou o protecionismo como uma deformação do intercâmbio comercial, e sim para dar uma resposta concreta às suas sociedades", disse Cristina.

"A ideia é aprofundar a integração por convicção e também por necessidade diante da situação de crise que vive o mundo", acrescentou ela.

Os dois presidentes negam relatos da imprensa sobre uma eventual iniciativa de Brasília para aproximar os governos de Cristina ao de Barack Obama. Preferiram ressaltar os avanços vistos na relação entre EUA e América Latina durante a recente Cúpula das Américas.

De acordo com Lula, qualquer tentativa de mediação teria provocado "um problema diplomático sem precedentes".

"Nenhum país, por menor que seja, tenha 1 milhão de habitantes ou 200 milhões, precisa de intermediários", afirmou Lula, acrescentando que todas as nações latino-americanas desejam construir uma relação respeitosa com o governo Obama.

Cristina afirmou que sua relação com Washington é igual à que a Argentina mantém com os demais países, e também destacou as expectativas criadas pela reunião dos países da América Latina no fim de semana em Trinidad e Tobago.

(Reportagem de Damián Wroclavsky)

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