Lula e Chávez assinam acordos na Bolívia em apoio a Evo Morales

Por Ana María Fabbri RIBERALTA, Bolívia (Reuters) - Os presidentes do Brasil e da Venezuela estão nesta sexta-feira no norte da Bolívia para renovar apoio ao presidente Evo Morales, com a formalização de créditos conjuntos para projetos viários no valor de 500 milhões de dólares.

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O encontro dos três na pequena cidade de Riberalta, na região amazônica e a quase mil quilômetros de La Paz, foi realizado a pouco mais de três semanas de um referendo crucial do mandato presidencial, em que Morales colocará em jogo sua 'revolução' de esquerda, que é bloqueada por setores conservadores.

O presidente boliviano e a população local deram uma festiva acolhida aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela, deixando aparentemente sem efeito os anúncios de dirigentes locais sobre um boicote ao encontro dos presidentes.

Riberalta fica na jurisdição do departamento de Beni, produtor de grãos, um dos quatro distritos em que a oposição conservadora conseguiu êxito, entre maio e junho, em referendos para aprovar estatutos de autonomia que vão no caminho oposto às mudanças da Constituição pretendidas por Morales.

O presidente boliviano e os executivos de oito dos nove departamentos do país se submeterão em 10 de agosto a um referendo que pode modificar o mapa político nacional, decisivo para resolver o conflito entre a nova Constituição e a busca pela autonomia.

ACORDOS

De acordo com o governo boliviano, Lula confirmou um crédito de 230 milhões de dólares à Bolívia e Chávez anunciou outro de 300 milhões de dólares para construir uma rede de rodovias entre La Paz e o norte da região amazônica, que faz parte de um corredor entre o Brasil e o oceano Pacífico.

'Estamos vivendo um momento histórico na América do Sul, em que governantes com apoio majoritário da sociedade unem esforços para redesenhar a geografia social, econômica e política do continente e garantir nossa inserção soberana no plano internacional', disse Lula na cerimônia.

Esses financiamentos substituirão o programa 'Conta do Milênio' que os Estados Unidos suspenderam temporariamente como consequência das disputas políticas entre La Paz e Washington.

O porta-voz do governo boliviano, Iván Canelas, disse que os três presidentes assinarão uma declaração comprometendo-se a respeitar o equilíbrio ecológico da Amazônia, sem renunciar ao desenvolvimento da região.

O Brasil, principal sócio comercial de Bolívia, principalmente pelas compras de gás natural que superam 1 bilhão de dólares por ano, prevê a construção de duas hidrelétricas na bacia amazônica, próximo à fronteira boliviana.

A Venezuela é um forte aliado político de Morales, a quem apóia com créditos e doações, além de dar assistência em programas de alfabetização e de saúde.

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