Lula diz que, na Câmara, usou cota para sindicalistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu hoje que, quando era deputado, usou a cota de passagens da Câmara dos Deputados para levar sindicalistas à Brasília. Para ele, não é correto usar os bilhetes para fazer turismo na Europa, mas não é crime usá-las para levar a mulher ou sindicalistas para a capital federal.

Agência Estado |

"Não acho um crime um deputado dar uma passagem para um dirigente sindical ir a Brasília. Quando eu era deputado, muitas vezes convoquei dirigentes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e outras centrais para se reunir com passagens do meu gabinete. Graças a Deus, nunca levei nenhum filho meu para a Europa. Mas um deputado levar a mulher para Brasília, qual é o crime?", questionou Lula, depois de participar da inauguração de um hospital de reabilitação da Rede Sarah, no Rio.

Para o presidente, a imprensa dá muita importância a um assunto que é banal e poderia ser resolvido pela própria Mesa Diretora da Câmara. "Falam como se fosse novidade uma coisa que é mais velha do que a História do Brasil". "Esse assunto está há um mês na imprensa, e temos coisas mais importantes para discutir", criticou Lula. "Eu ainda vou criar o Dia da Hipocrisia", discursou Lula na inauguração do hospital. "Logicamente, guardar a passagem para ir à França é delicadíssimo, mas levar a mulher ou um sindicalista para Brasília, não vejo onde está o crime. Se esse fosse o mal do Brasil, o Brasil não tinha mal".

Lula também classificou como hipocrisia o fato de salários de R$ 8 mil ou R$ 10 mil pagos a servidores públicos serem taxados de altos pela imprensa, enquanto a iniciativa privada paga muito mais. Sem citar o nome do ex-presidente da BR, Rodolfo Landim, o presidente mencionou que a Petrobras era criticada por lhe pagar um salário de R$ 26 mil. No entanto, ele deixou a estatal para dirigir o grupo Pão de Açúcar e ganhar R$ 200 mil por mês, com o pagamento de dois anos de salário adiantado e, seis meses depois, foi contratado por uma outra empresa para ganhar o dobro. "Agora sim ele é marajá", brincou Lula.

"O caro não é pagar em função do merecimento. Caro é pagar um monte de incompetente para fazer uma função nobre e ele não conseguir fazê-la corretamente", criticou o presidente, acrescentando que o que mede o profissionalismo de um hospital, por exemplo, não é o número de funcionários encostados no corredor.

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