O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que as regiões metropolitanas do País vão receber atenção especial do governo na elaboração de obras da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que será lançado em março. Sem citar os projetos que poderão ser realizados, Lula reiterou a necessidade de fazer programas conjuntos com prefeituras e governos estaduais para evitar que as chuvas castiguem a periferia das grandes cidades.

"Não é possível que a cada mês de janeiro, fim de dezembro e carnaval a gente veja cidades inteiras ruírem por conta d'água", afirmou Lula, durante a inauguração da nova sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Sindpd), na capital paulista. "O mais importante do PAC 2, companheiros, é uma coisa que eu acho que é prioridade: nós precisamos trabalhar com muito carinho os problemas das regiões metropolitanas deste País."
Lula evitou responsabilizar prefeitos ou governadores pelas tragédias que assolaram a Região Metropolitana de São Paulo e Angra dos Reis (RJ) durante os últimos dois meses, mas afirmou que é preciso que os governantes assumam responsabilidades.
"Não sou daqueles que culpam as pessoas com facilidade. Muitas vezes, existe culpa gerencial porque se sabe onde vai encher e se poderia resolver, mas a gente sabe também que é uma coisa que custa muito caro e, portanto, não vou jogar pedra em nenhum prefeito ou governador. Eu acho que é uma coisa em que se tem que assumir compromissos conjuntos. Não é um problema de ninguém. É um problema nosso", afirmou. "Temos de tratar esses fenômenos da natureza como fenômenos da natureza. Se chove em uma hora aquilo que era para chover em 20 horas, alguma coisa vai acontecer."
Pouco antes de iniciar seu discurso, Lula, que falou logo depois da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que a ministra estava bastante "palanqueira". Mais tarde, sem citar o nome da ministra, mas claramente se referindo a ela, disse que vai deixar o PAC 2 preparado para o próximo presidente, inclusive com dinheiro do orçamento direcionado para os investimentos.
"Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito. E quem vier depois de mim - e eu, por questões legais, não posso dizer quem é, e espero que vocês adivinhem - já vai encontrar um programa pronto com dinheiro no orçamento", disse, sob risos e aplausos do público que participava da inauguração da nova sede do sindicato.
Dilma foi saudada pelo movimento sindical como sucessora de presidente Lula. O presidente da entidade, Antonio Neto, ao lado do presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, e do presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho, disse que os trabalhadores não vão permitir um retrocesso nas eleições deste ano.
"Nós não recuaremos do momento em que estamos. Não cederemos um milímetro", afirmou Neto. "O exemplo do Chile nos alertou: a esquerda dividida perde a eleição. A esquerda unida ganha a eleição. Nós vamos fazer uma unidade ímpar e vamos eleger o sucessor do presidente da República que possa dar continuidade ao compromisso que ele tem. E as centrais já têm um nome, presidente, e esse nome é Dilma Rousseff. Isso é unânime nas centrais. As centrais já decidiram. Não vamos permitir o retrocesso."

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