Lula diz que Itália deve aceitar asilo a Battisti

Por Raymond Colitt CORUMBÁ (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta-feira que a Itália terá que aceitar a concessão de asilo político ao ex-militante de esquerda Cesare Battisti, mesmo que não aprove a decisão.

Reuters |

A Itália reagiu com indignação na quarta-feira à concessão pelo Brasil do asilo a Battisti, condenado à revelia por quatro homicídios ocorridos na década de 1970, período de violência política que ficou conhecido naquele país como "anos de chumbo".

A chancelaria italiana convocou o embaixador brasileiro em Roma para manifestar "surpresa e pesar" e pedir a Lula que reveja a decisão.

Falando em visita à fronteira com a Bolívia, Lula disse que não vai mudar a decisão, que resultará na libertação de Battisti em breve.

"Eu acho que os italianos têm de respeitar. Eles podem não gostar, mas têm de respeitar", disse o presidente a jornalistas. "É uma decisão soberana do Estado brasileiro. O Brasil é um país generoso."

Battisti fugiu de uma prisão italiana no começo da década de 1980, quando aguardava julgamento. Viveu na França até se transferir para o Brasil. Ele foi preso no Rio de Janeiro em 2007 e desde então ficou mantido em presídios brasileiros.

Funcionários do Supremo Tribunal Federal disseram que o processo de extradição de Battisti para a Itália será suspenso assim que a corte for oficialmente informada pelo governo da concessão do asilo. Battisti seria libertado imediatamente em seguida.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse em seu voto pela concessão do asilo que há "fundado temor de perseguição por motivos de (...) opinião política" contra o preso.

Battisti, que nega ter cometido os homicídios, militava num grupo chamado Proletários Armados pelo Comunismo. Ele foi condenado à prisão perpétua por dois dos homicídios.

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