Lula diz que impulso para reforma financeira pode perder força

LONDRES (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação nesta quinta-feira que o leve avanço na economia mundial poderá prejudicar o impulso para uma reforma do sistema financeiro, aumentando o risco de uma crise mais profunda. Os pequenos sinais de progresso na economia podem criar impedimentos para que possamos realizar reformas profundas sem as quais a humanidade corre o risco de retornar de forma mais grave à crise, disse Lula após receber da instituição Chatham House um prêmio de estadista do ano.

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Ele defendeu a adoção de mecanismos de regulação mais efetivos, o fim dos paraísos fiscais, um esforço maior para lutar contra o protecionismo e a conclusão da Rodada de Doha.

Lula disse que as instituições multilaterais nascidas depois da Segunda Guerra Mundial não eram mais adequadas à nova geografia econômica e política do século 21.

"As instituições de Bretton Woods só agora estão começando a ser remodeladas. Mas estão se movimentando muito lentamente. Elas fracassaram porque não previram e evitaram a severa crise que atingiu toda a humanidade", ele disse.

O rigor com que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial trataram os países pobres foi diferente da complacência e indulgência que mostraram às nações desenvolvidas, disse Lula.

Lula defendeu a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e disse que o Brasil e outros países deveriam ganhar um assento permanente.

Apesar de o país ter descoberto novas reservas de petróleo em seu litoral --que poderiam torná-lo um grande exportador--, Lula disse que a riqueza do petróleo "será distribuída aos brasileiros do amanhã", prometendo investir os recursos na educação e na pesquisa científica.

O governo brasileiro participará da cúpula climática em Copenhague, na Dinamarca, no próximo mês, com propostas claras de cortes, ele disse.

"O sucesso que tivemos para reduzir o desmatamento de nossas florestas nos dá credibilidade para o nosso desejo de reduzir o desmatamento em até 80 por cento no ano de 2020", disse ele.

(Reportagem de Adrian Croft)

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