Lula diz que enchente em São Paulo não é culpa de Kassab

Em mais uma referência ao problema das enchentes enfrentadas pelos moradores de São Paulo e Região Metropolitana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou nesta segunda-feira a saga que enfrentou para se livrar dos alagamentos assim que chegou à capital paulista.

Agência Estado |

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Lula e Serra durante homenagem na sede da Prefeitura de São Paulo

Lula e Serra durante homenagem na sede da Prefeitura de São Paulo

O presidente lembrou que chegou a São Paulo em 1956 e foi morar na Vila Carioca - "onde dava enchente todo fim de ano". "Não é de hoje que dá enchente. Naquele tempo eu trabalhava no armazém Columbia e a gente muitas vezes não ia trabalhar porque a Rua Presidente Wilson enchia e obviamente eu gostava porque não tinha que trabalhar naquele dia", afirmou.

"Depois eu mudei, Kassab (prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab), para um outro lugar para me livrar da enchente. Eu mudei para a Ponte Preta, na divisa da Vila Arapoá com São Caetano do Sul (ABC Paulista). Mudei para um casa novinha, Kassab, cheirava a tinta, no mês de junho. No mês de dezembro e em janeiro peguei três enchentes de entrar um metro e meio de água dentro de casa."

Lula disse que a solução encontrada pelo povo da região na época era "jogar cascalho na rua". "As casas iam ficando para baixo, cada vez mais para baixo da rua, e a gente fazia uma mureta e colocava uma porta de ferro na esperança de que aquilo não fosse dar uma enchente. E a desgraça de uma enchente é que a outra é maior e a água já aprendeu o caminho das pedras", afirmou.

Outra vez Lula se mudou, dessa vez para a Vila São José, em São Caetano do Sul, e mais uma vez enfrentou alagamentos. "No primeiro ano, meu caro Claudio Lembo (secretário municipal de Negócios Jurídicos), teve uma enchente de um metro e meio dentro de casa", afirmou. Só quando se mudou para um bairro mais alto, no Jardim Patente, em São Caetano, é que Lula não enfrentou alagamentos. "Depois fui morar no Parque Bristol. Era uma pirambeira de barro que vocês não queiram nem saber."

Toda essa narrativa foi feita nesta segunda-feira enquanto Lula discursava no Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo, e recebia a Medalha 25 de Janeiro, concedida pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) às personalidades que participaram da construção e do crescimento de São Paulo, cidade que hoje completou 456 anos.

Na primeira edição da homenagem, receberam as honrarias o presidente Lula e o governador José Serra (PSDB). Enquanto Lula contava sua experiência em lidar com alagamentos, Kassab e Serra não esboçaram reações.

Esforço conjunto

Lula voltou a cobrar união entre prefeitos, governadores e governo federal para resolver o problema das enchentes nas regiões metropolitanas e "dar um presente" à cidade de São Paulo. "Está na hora de a gente sentar e tentar encontrar uma alternativa definitiva para resolver o problema das enchentes", afirmou.

"Não é culpa do prefeito, do governador ou do presidente individualmente. Possivelmente seja culpa de todos nós, que precisamos sentar com muito mais gente e tentar oferecer uma alternativa para melhorar a qualidade de vida desse povo que sofre todo ano. Todo ano, pode ser prefeito do PT, PC do B, PSDB, DEM, todo ano vai ter enchente em São Paulo se a gente não tomar atitude, porque custa caro começar a mudar essa situação", disse.

Lula fez um convite para Kassab participar da elaboração dos planos de obras da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), que dará prioridade às regiões metropolitanas do País entre 2011 e 2015. "Gostaria imensamente, Kassab, que o prefeito de São Paulo estivesse presente para que a gente pudesse definir as prioridades para a cidade de São Paulo. Tenho convicção de que, fazendo alguma coisa em São Paulo, estaremos fazendo pelo Brasil inteiro."

Kassab não comentou as declarações de Lula sobre os alagamentos que enfrentou nem confirmou se participará da elaboração do PAC 2. Sobre esse assunto, o prefeito disse que Lula ratificou um compromisso que já possui com a cidade.

"O presidente, assim como governador, tiveram oportunidade de ratificar o compromisso com a cidade de São Paulo. Isso não nos surpreende, é uma continuidade da ação que tem acontecido ao longo de seu governo e do de José Serra", afirmou. "O que existe é a responsabilidade de todos pelo futuro. É evidente que a somatória de esforços é que vai resolver os problemas. A cidade tem jeito."

Colaboração

Kassab pediu ainda que a população colabore por meio de ações preventivas contra enchentes. "O esforço coletivo é do poder público, mas também é fundamental a cooperação dos cidadãos para que o lixo não fique na rua em horário inadequado, que as pessoas não joguem lixo na rua e dessa maneira possamos ser uma cidade melhor", disse.

Em seu discurso, Kassab homenageou os servidores públicos que atuam no combate aos alagamentos e voltou a dizer que os problemas são consequência de "desequilíbrios climáticos que expõem as vísceras dos nossos problemas de infraestrutura, trânsito e transporte, com reflexos sociais e econômicos desastrosos". "Não adianta acusar o passado, mas enfrentar o presente", reiterou.

Também participou da cerimônia o vice-presidente José Alencar. Cerca de 100 moradores dos Jardins Pantanal e Romano aguardavam o prefeito para cobrar ações contra os alagamentos que assolam a região desde dezembro, mas Kassab não os recebeu nem passou perto dos manifestantes.

Protesto

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Moradores protestam em frente à sede da Prefeitura
Moradores protestam em frente à sede da Prefeitura

Do lado de fora, moradores de bairros atingidos por enchentes participaram de protesto em frente à sede da Prefeitura de São Paulo.

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