SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que as eleições de outubro não podem mais causar qualquer cenário de terrorismo no Brasil. A declaração do presidente tinha como alvo as possíveis oscilações nos mercados financeiros provocadas por pesquisas eleitorais que apontam queda ou alta de determinados candidatos.

" Não existe a possibilidade de quem quer que seja estragar o que está acontecendo neste país " , afirmou o presidente. " Não acreditem e não aceitem aquela ideia imbecil que se falava neste Brasil, que se ganhar fulano vai estragar tudo. Não existe essa hipótese. Fizeram muito terrorismo contra mim durante as eleições que disputei. "
" O natural é fazer mais e fazer melhor " , afirmou Lula, em relação às ações do governo, sobretudo no combate à crise financeira mundial. Segundo ele, a equipe econômica fez apenas o óbvio para tirar o Brasil da crise. O presidente ainda aproveitou para alfinetar os países desenvolvidos. " A verdade é que o Brasil estava mais preparado e consciente. Se o mundo tivesse dado os passos que o Brasil deu, o Lehman Brothers não teria quebrado e o crédito não teria desaparecido. "
Lula deu as declarações durante almoço com empresários do setor automotivo. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, o evento foi uma homenagem a Lula e a seu governo pelas ações no combate à crise.

Mais cedo, na cidade paulista de Sorocaba, o presidente participou da inauguração da unidade industrial de tratores da Case New Holland. Em discurso acompanhado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e pelo governador de São Paulo, José Serra, tidos como adversários nas eleições presidenciais deste ano, Lula afirmou que " a arte da boa governança é fazer o óbvio " . Comentando que política não se aprende na faculdade, ele afirmou que " as coisas mais corretas que fazemos é aquilo que parece o óbvio, mas as pessoas não fazem... Porque na política a gente não inventa. "
No discurso em Sorocaba, Lula defendeu a necessidade de um Estado forte - não no sentido de empresa, mas como " indutor e regulador " da economia. Também lembrou que a oferta de crédito cresceu em seu governo, " de R$ 381 bilhões para R$ 1,41 trilhão " , mas, segundo o presidente, " o crédito no Brasil ainda não é tudo o que nós queremos " .

Reservou ainda uma alfinetada indireta aos seus antecessores no poder, que resumiu numa metáfora do futebol. Segundo Lula, antes de seu governo, o " Brasil vivia assustado " e " pesado " como o time do Corinthians hoje. O Santos, com quem o time do presidente jogou no último domingo, tem " leveza e irreverência " que assustaram os corintianos.

(Fernando Taquari | Valor)

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