Lula diz que decisão da Justiça sobre Battisti será respeitada

RIO DE JANEIRO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta sexta-feira a decisão de conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti, apesar de o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, ter afirmado que vai pressionar o Brasil a extraditar o ex-ativista de esquerda. Mais cedo nesta sexta, Berlusconi afirmou que fará de tudo para convencer o Brasil a extraditar Battisti, que está preso no país desde 2007 e foi beneficiado este mês com o refúgio político pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

Reuters |

No entanto, Lula afirmou que "o Brasil pode dar o direito às pessoas de continuarem no Brasil".

"Este país aqui tem lição a dar ao mundo sobre o tratamento de imigrantes", disse Lula a jornalistas em Belém, após participar de uma reunião do Fórum Social Mundial, segundo texto disponibilizado pelo Planalto.

Lula, assim como o premiê italiano, defendeu que o caso seja resolvido na Justiça e não interfira na relação "inabalável" entre Brasil e Itália.

"Há uma decisão do governo brasileiro... E é importante que as pessoas respeitam as decisões soberanas de cada país. Na hora que a Justiça tomar a decisão, seja qual for ela, nós não discutimos mais", afirmou.

Battisti, 54, está detido na penitenciária da Papuda, em Brasília, onde cumpre prisão preventiva para fins de extradição solicitada pelo governo italiano. Ele fugiu de uma prisão italiana no início dos anos 1980 enquanto aguardava julgamento, e foi condenado à revelia por quatro homicídios cometidos nos anos 1970 em seu país.

Autoridades italianas condenaram veementemente a decisão brasileira de conceder refúgio a Battisti e, nesta semana, a Itália chamou para consultas seu embaixador em Brasília, Michele Valensise.

Após a concessão do refúgio a Battisti, a defesa do italiano entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando sua soltura e também a extinção do processo de extradição. Na quinta-feira, o STF concedeu prazo de 5 dias para que a Itália se manifeste sobre o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-militante.

Lula já havia defendido a decisão brasileira de conceder o refúgio numa carta enviada ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano, em resposta a uma correspondência do líder europeu que reclamava da decisão brasileira.

(Texto de Pedro Fonseca)

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