O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no ato de posse do novo diretório nacional do PT, na noite desta sexta-feira, que pretende usar o prestígio internacional que acumulou em oito anos de mandato para promover a integração da América Latina e da América do Sul com o continente africano. Ele disse querer se dedicar a esse propósito a partir de janeiro de 2011.

Quando eu deixar a Presidência, quero fazer duas coisas: trabalhar mais forte a questão da integração da América Latina e outra é trabalhar mais forte a integração da América do Sul com o continente africano para que possamos construir um novo mundo.

Lula aproveitou também a posse do novo presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, para cobrar que o PT promova também a integração com outros partidos da América Latina.

O motivo, segundo o presidente, é consolidar o avanço das forças de esquerda no continente. Do contrário, segundo ele, se um dos governantes de esquerda for substituído por um conservador, todos os avanços podem retroceder.

Lula também disse que vai ajudar o partido nessa tarefa depois de deixar a Presidência.

O discurso de Lula foi uma surpresa até para a direção do PT. Eu não posso fazer discurso hoje porque vou fazer discurso amanhã. Amanhã é o dia que eu tenho que convencer vocês, segundo a direção do partido, de que a Dilma é a candidata do PT.

Embora não estivesse previsto, o discurso durou cerca de meia hora.

O presidente aproveitou a presença de 1.300 lideranças petistas de todos os Estados do país para mandar um recado àqueles que têm criado dificuldades para as alianças nacionais em torno da candidatura de Dilma Rousseff por causa de disputas regionais.

Ele lembrou que um dos momentos mais marcantes de sua carreira política foi o comício em Recife na eleição de 2006, no qual dividiu o mesmo palanque com os candidatos do PT, Humberto Costa, e do PSB, Eduardo Campos.

Isso pode ser feito em muitos lugares. Em outros é impossível.

Lula pediu também generosidade dos petistas para com os candidatos de outros partidos.

Ele disse que cansou de perder eleições devido ao sectarismo do PT, até que, em 2002, o partido resolveu abrir o leque de alianças.

O presidente lembrou que na convenção do PT que homologou sua candidatura, no centro de convenções do Anhembi, em São Paulo, alguns petistas chegaram a vaiar o então candidato a vice, José Alencar (que pertencia ao PL).

Hoje ele é um herói nacional, afirmou.

Minutos antes, Alencar foi ovacionado e chegou a provocar lágrimas em muitos petistas da platéia em discurso em que enalteceu as qualidades do partido, agradeceu a militância, e se disse honrado pelo título de militante honorário do PT que recebeu em Minas Gerais, em janeiro.

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