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Lula diz que acordo ortográfico é estratégico para o mundo lusófono

Rio de Janeiro, 29 set (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o Brasil se reencontrou ao assinar o decreto que promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que definiu como estratégico e que entrará em vigor em janeiro próximo.

EFE |

Segundo Lula, o acordo aproxima mais o Brasil de outros países lusófonos, entre os quais destacou os africanos, com os quais espera que aumente o comércio de produtos editoriais graças à nova ferramenta ortográfica da língua de Camões.

"O acordo tem uma importância maior do que pode parecer à primeira vista", disse o presidente, que afirmou ainda que a norma possui um "significado estratégico" para a cooperação entre os países lusófonos "e a própria presença da língua portuguesa e de nossa literatura no mundo".

Lula fez as declarações na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, onde hoje assinou o decreto que dá sinal verde ao acordo que simplificará e unificará a forma como o português é escrito nos oito países em que é idioma oficial.

"Quero destacar aqui o imprescindível resgate de nossos laços substantivos com a África, em particular com a África de língua portuguesa, que para nós representa mais, muito mais que uma prioridade geopolítica", completou o presidente.

Lula destacou que desde que chegou ao poder visitou 21 países da África como parte de uma política para resgatar o continente do esquecimento esse continente e reforçar laços comuns.

O acordo diz muito "de nossa alma, de nossa identidade como nação multiétnica e multicultural (...) É o reencontro do Brasil com algumas de suas raízes mais profundas", afirmou o presidente.

Lula assinou o decreto em um ato no qual a ABL celebrou o centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), o mais universal dos escritores brasileiros.

Na celebração, Lula encorajou os brasileiros a promoverem uma "revolução do livro e da leitura", para estender a cultura aos mais pobres e evitar que sejam perdidos novos gênios como Machado de Assis, de origem humilde e que foi o primeiro presidente da ABL.

"Não cabe a mim discorrer sobre seus métodos literários. Vou destacar o aspecto central: filho de lavadeira, neto de escravo, poucos estudos regulares, aprendeu a trabalhar como aprendiz de tipógrafo", resumiu o presidente, ao falar do renomado escritor brasileiro.

O acordo ortográfico foi aprovado em dezembro de 1990 por representantes de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. O Timor-Leste aderiu ao projeto em 2004, dois anos após sua independência da Indonésia.

Para entrar em vigor, o acordo necessitava da ratificação de, no mínimo, três países, o que foi obtido em 2006 com Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O Parlamento de Portugal deu o sinal verde ao projeto em maio deste ano.

No Brasil, a nova norma entrará em vigor em janeiro de 2009, e sua implantação será feita de forma gradual, de modo que as novas normas chegarão aos textos escolares em 2010 e serão obrigatórias a partir de 2012.

A reforma estabelece 21 bases de mudanças na língua portuguesa, tais como a supressão do trema, novas regras para o uso do hífen, a inclusão das letras "k", "w" e "y" no alfabeto e também novas regras de acentuação. EFE joc/fr

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