Lula diz que absolvição de fazendeiro depõe contra o Brasil

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a absolvição do fazendeiro acusado de mandar matar a missionária Dorothy Stang depõe contra a imagem do Brasil no mundo. Lula disse que como presidente não lhe competia dar palpite sobre decisão do Judiciário, e que é necessário aguardar os possíveis recursos.

Reuters |

'Eu acho que depõe um pouco contra a imagem do Brasil no exterior, eu acho que faz com que uma parte da sociedade comece a ter dúvidas sobre o julgamento', disse Lula a jornalistas após lançamento do Plano da Amazônia Sustentável.

Lula insistiu que a decisão pela absolvição foi tomada por um fórum legítimo e disse que sua posição é de expectativa.

'Eu acho que nós temos que esperar que os advogados façam recursos para que a gente possa então saber se o mandante vai ser punido ou não.'

O fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura foi absolvido na terça-feira por 5 votos a 2. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato de Dorothy Stang, ocorrido no Pará em fevereiro de 2005.

Na quinta-feira, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que a decisão pode manchar a imagem da Justiça brasileira e transmitir à comunidade internacional uma sensação de impunidade.

Em cerimônia do Dia da Vitória, no Rio de Janeiro, o vice-presidente José Alencar disse esperar que a decisão seja reparada pelo Judiciário.

'O Brasil inteiro ficou de certa forma preocupado, porque é uma decisão do Judiciário, que nós respeitamos, porém isso surpreendeu o Brasil. Acho que o próprio Poder Judiciário vai encontrar alguma coisa que possa dar uma satisfação à nação brasileira', disse Alencar.

Posição diferente foi manifestada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que não se mostrou surpreso pela decisão do Tribunal de Justiça do Pará.

'Absolutamente. Tive longas experiências no Tribunal do Júri e sei perfeitamente que essas coisas acontecem. Isso faz parte das instituições democráticas', disse Jobim a jornalistas na mesma cerimônia a que compareceu Alencar.

Apesar de divergirem sobre a absolvição, o vice-presidente e o ministro da Defesa concordaram que a decisão do Judiciário não deve causar prejuízos à imagem do Brasil no exterior.

'O Brasil não toma decisões por imagem. Toma decisão pelas suas instituições que têm que ser respeitadas. Se começássemos a desqualificar as nossas instituições porque os outros pensam mal delas, teremos grandes problemas', disse Jobim.

'A imagem do Brasil está acima disso. Não tenho dúvida', acrescentou Alencar.

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