Lula diz a petistas que afastamento de Sarney amplia crise no Senado e no País

Em jantar com líderes do PT, na noite de quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi determinante ao dizer que não aceita um eventual afastamento de José Sarney da presidência do Senado. A informação foi dada pelo líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, nesta sexta-feira.

Severino Motta, repórter em Brasília |



Agência Senado
Mercadante durante discurso no Plenário

Mercadante durante discurso sobre crise



De acordo com informações de Mercadante, o presidente avaliou que o afastamento de Sarney ampliaria a crise política no Congresso e daria poder para a oposição, que tentaria impedir o governo de tomar medidas para atravessar a crise econômica internacional.

O presidente acredita que, se Sarney se licenciar, ele não volta; e que o processo vai gerar uma crise política mais profunda [no Senado] (...)Lula acredita que a oposição quer ganhar a presidência no tapetão e atrapalhar o governo, principalmente na crise econômica, afirmou.

A expressão tapetão, que já foi usada pelo presidente, está ligada ao regimento do Congresso. No caso de um afastamento do primeiro-vice-presidente, Marconi Perillo (PSDB-GO) assumiria a vaga. Uma nova eleição só seria convocada caso o presidente Sarney renunciasse a seu cargo.

Lula ainda teria dito que a aliança com o PMDB é mais do que uma necessidade política, é uma questão de Estado. Lula, segundo Mercadante, alegou ainda que o correto enfrentamento da crise no Congresso deve ser feito por meio de investigação rigorosa e punição dos culpados pelos desmandos e crimes.

"Arquiteto" do projeto

Mesmo sem querer declarar apoio incondicional a Sarney, Mercadante disse que Lula é o arquiteto do projeto de País que criou a estabilidade econômica e aprovação de mais de 80% da população. Por isso, a tendência é que a bancada de senadores dê apoio total ao presidente do Senado.

Dentro do Congresso, o PT vai trabalhar para a manutenção de Sarney no cargo, mas vai seguir dizendo ao público que uma eventual licença por 30 dias do peemedebista seria um gesto de grandeza e ajudaria na superação da crise.

O discurso precisa ser feito uma vez que parte da bancada do PT, entre eles o próprio Mercadante, vai concorrer às eleições em 2010 e um apoio público, como somente o próprio PMDB é capaz de dar a Sarney, desagradaria boa parte do eleitorado.

Ainda no processo de apoio a Sarney, o PT espera recuperar parte do poder perdido na eleição da Mesa Diretora do Senado, quando o senador Tião Viana (PT-AC) foi derrotado. A proposta de reforma administrativa e da criação de uma Lei de Responsabilidade Administrativa e Fiscal faziam parte da plataforma de Tião.

Eles ainda vão pressionar Sarney para que o colégio permanente de líderes seja criado e tenha funcionamento pleno. Assim, mesmo sem ter cargo de destaque na Mesa, o PT vai poder participar das decisões políticas da Casa.

Nova denúncia

Mercadante evitou comentar a omissão de Sarney em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral de uma casa avaliada em torno de R$ 4 milhões. "Vamos aguardar mais informações para ter segurança antes de uma manifestação. A questão não me parece clara, e não ouvi o contraditório", disse Mercadante.

De acordo com documentos de cartório, Sarney comprou a casa do banqueiro Joseph Safra em 1997 por meio de um contrato de gaveta e em nenhuma das duas eleições disputadas por ele depois da compra - 1998 e 2006 - o imóvel foi incluído nas declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. O presidente da Casa também foi citado como um dos beneficiados por atos secretos na Casa. Além disso, o neto do peemedebista, José Adriano Cordeiro Sarney, virou alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por ser um dos operadores de um esquema de crédito consignado suspeito.

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