Lula: divergência entre governo e agricultores é passado

Em discurso de improviso de quase meia hora, Lula disse que hoje há mais maturidade dos dois lados

Agência Estado |

Ao lançar o Plano Safra 2010/2011, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que as confrontações e divergências entre setores do governo e os agricultores são coisas do passado. Em discurso de improviso de quase meia hora, Lula disse que hoje há mais maturidade dos dois lados."Todos nós aprendemos, ficamos mais maduros e passamos a nos respeitar. Já não há acusações baratas como no início do governo", disse.

Lula disse que o atual ministro da Agricultura, Wagner Rossi, tem muito mais facilidade de conversar com o Ministério da Fazenda do que tinha, por exemplo, Roberto Rodrigues, primeiro ministro da Agricultura da sua gestão. Ele observou que o Plano Safra deste ano é quase cinco vezes maior que o lançado em 2003. Neste ano, o governo anunciou R$ 100 bilhões para o plano e, no primeiro ano de governo, R$ 24 bilhões.

Há poucos meses das eleições de outubro, Lula disse que é importante que os agricultores percebam os avanços que ocorreram no setor nos últimos sete anos. "É importante também que todo mundo tenha consciência da importância que o Brasil tem hoje no mundo", disse Lula, observando vitórias da diplomacia no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) que resultaram, por exemplo, no fim de barreiras para a venda de algodão.

Lula ainda disse que alguns setores eram discriminados. "Os companheiros que trabalham na produção de etanol sabem perfeitamente bem e eu não preciso dizer que não teve governo que os tratou com o respeito que eu os tratei", disse. "Tratei inclusive recuperando uma coisa chamada cidadania que eles tinham perdido há muito tempo", completou. O presidente, no discurso, disse que os governantes anteriores tinham vergonha dos usineiros e só não tinham vergonha de pedir dinheiro ao setor em época de campanha.

Ele também aproveitou para fazer um afago aos evangélicos, embora o evento tenha sido voltado à agricultura. "Antes das eleições, todo evangélico é bom. Depois, ninguém nem recebe. Mas comigo não tem essa história", disse. O presidente disse que tem apenas uma cara e a mostra do jeito que ela é. "Ou a gente faz as coisas que têm que ser feitas ou o Brasil não dará certo".

Lula arrancou aplausos da plateia, formada por pessoas do setor, ao dizer que era preciso discutir a questão da venda de terras para estrangeiros. "Esse é um problema que temos de começar a discutir", disse. "Uma coisa é o cidadão comprar uma usina, uma fábrica. Outra é a terra da fábrica, a terra de minério. Daqui a pouco vamos ficar com uma coisa diminuta. Não podemos permitir abuso nessa área, especialmente, em relação a terras produtivas", completou.

Outro participante do evento, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse em discurso que tem fortes relações como setor. Temer é o nome mais cotado do PMDB para ser o vice na chapa de Dilma Rousseff.

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