O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve barrar qualquer proposta da equipe econômica que possa atrapalhar a candidatura da ministra da Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. A polêmica em torno do adiamento do pagamento da restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) foi a gota água depois de uma série de medidas do Ministério da Fazenda consideradas desastrosas pelo Palácio do Planalto.

A notícia do atraso da restituição para reforçar o caixa do governo no dia da divulgação do balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) colocou a ministra numa verdadeira saia justa, justamente no momento em que procurava mostrar os avanços nas obras do governo. Dilma estava ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando ele confirmou o atraso na liberação das declarações do IRPF.

A manobra fiscal com o dinheiro do contribuinte dominou a entrevista de divulgação do balanço do PAC e desagradou o presidente Lula, que mandou o Ministério da Fazenda resolver o problema. A avaliação é de que a ministra, que ainda patina nas pesquisas e não consegue decolar a sua candidatura, está sendo prejudicada por essas decisões na área econômica, que dão munição fácil para oposição.

O mesmo aconteceu com a proposta de taxação da poupança, que o ministro Mantega insistiu em anunciar duas vezes este ano, apesar dos alertas da área política de que não era hora de mexer num tema tão caro para a população. Mantega teve que voltar atrás também no caso da poupança por decisão do presidente Lula. A taxação da poupança e o atraso no pagamento das restituições do IR foram classificadas de "confisco" pela oposição. A proposta de criação da Contribuição Social da Saúde (CSS para substituir a extinta CPMF também foi engavetada.

A área econômica também está provocando forte desgaste político com bloqueio das verbas de emendas dos parlamentares que afetam sobretudo as prefeituras, onde ficam as bases de campanha.

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