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Lula define morte dos três jovens no Rio como ato insano

BRASÍLIA - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, nesta quarta-feira, que a morte dos três jovens do Morro da Providência, que foram entregues à traficantes do Morro da Mineira, onde foram assassinados, na cidade do Rio de Janeiro, foi um ¿ato insano¿.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |

Agência Estado
"Judas" com farda foi colocado na Providência
Não é possível que um crime como este saia da cabeça de uma pessoa normal. Não é possível que três jovens sejam vitimados de um ato insano e de uma pessoa que estava lá para colocar ordem, disse o presidente. Lula afirmou ainda que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) irão continuar no morro da Providência.

O presidente falou durante a cerimônia de entrega de medalhas ao Centenário da Imigração Japonesa e ressaltou que é preciso trabalhar para fazer justiça para a família e que o Estado tem de fazer a reparação pela perda das vítimas.

Lula não descartou ainda a hipótese do Exército desocupar a comunidade. Se for necessário, sai. Mas isto nós vamos discutir com calma. Temos que ser cautelosos, não é por causa de um erro gravíssimo e abominável que temos que tomar medidas precipitadas. O presidente irá conversar ainda hoje com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para ouvir um relato das investigações sobre o caso.

Jobim, visitou, na terça-feira o Morro da Providência e evitou falar sobre eventual retirada. O ministro enfatizou no entanto que as obras do PAC têm que continuar e disse que o Exército não deixará o local imediatamente . Sobre o mesmo assunto, Lula disse que precisamos continuar as obras, porque elas serão para o bem de toda aquela comunidade. Se for necessário [ o Exército ] sai. ( Leia mais )

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

(com informações da Agência Brasil)

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