O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje a visita do colega iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil, ao argumentar que não se constrói a paz no Oriente Médio sem conversar com todas as forças políticas e religiões. Ele advertiu que se o diálogo se der apenas entre países com a mesma orientação será apenas um clube de amigos, que nunca poderá alcançar a paz.

Lula justificou sua iniciativa de convidar e receber Ahmadinejad ao ser questionado por uma jornalista israelense sobre como o seu País poderia compreender a visita ao Brasil de um líder que negou a existência do holocausto.

Lula lembrou que em 1993 esteve em Israel como presidente do PT e se encontrou com o atual presidente do País, Shimon Peres. E em 1994, reuniu-se com Yasser Arafat, então líder da Organização para Libertação da Palestina (OLP). Ele completou que depois desses encontros chegou à convicção de que, para se alcançar um acordo de paz na região, era preciso contar com a respeitabilidade de Peres e de Arafat. "Hoje temos só 50% das possibilidades da junção dos dois", afirmou, referindo-se à morte de Arafat. "Precisamos conversar mais. Não temos veto para conversar com quer que seja", completou.

No discurso, após assinatura de atos, e com cautela para não se referir ao Irã, Lula disse que o Brasil repudia todo ato de terrorismo, sob qualquer pretexto, por quem quer que seja. Segundo ele, a paz no Oriente Médio é a esperança de todos. E as soluções para as dificuldades "só serão alcançadas com diálogo e negociação".

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