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Lula defende biocombustíveis das críticas crescentes

Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a produção de biocombustíveis do Brasil nesta quarta-feira, rejeitando as críticas de que ela acelera os preços dos alimentos em todo o mundo e prejudica o meio-ambiente.

Reuters |

'Não me diga, pelo amor de Deus, que a comida é cara por causa do biodiesel. A comida é cara porque o mundo não se preparou para ver milhões de chineses, indianos, africanos e brasileiro comerem', disse Lula a jornalistas antes de falar em Conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

'Nós queremos discutir isso não com paixão, mas com racionalidade e não com o ponto de vista da Europa', afirmou Lula.

Os comentários do presidente vêm após uma semana de críticas e protestos na Europa e no Brasil contra os combustíveis derivados de grãos e sobre os seus impactos ambientais e sociais.

As crescentes críticas são um desafio à diplomacia do Brasil e ao auge de suas exportações agrícolas, que transformaram o país no maior exportador mundial de etanol derivado da cana de açúcar.

Competidores e críticos tentaram relacionar várias das exportações agrícolas do Brasil, da carne à soja, com a destruição do meio-ambiente e com más condições de trabalho.

'O Brasil está preparado para esse debate. Eu e o meu governo estamos prontos para viajar o mundo todo', disse.

Os críticos afirmam que a produção maior de grãos para etanol e biodiesel, que deriva de sementes, está desgastando as terras que de outra forma seriam usadas para plantar alimentos.

No Brasil, eles dizem que isso também empurra os pecuaristas e fazendeiros mais para o norte do país, o que contribui para a destruição da Amazônia.

Alguns dos vizinhos brasileiros, incluindo Venezuela e Bolívia, alertaram na conferência da FAO nesta semana que os biocombustíveis podem aumentar a desnutrição na América Latina.

O Brasil repetidamente usou o argumento de que tem muitas terras não cultivadas para plantar grãos usados nos biocombustíveis e que a atual produção ainda é pequena demais para afetar os preços dos alimentos.

O governo brasileiro rejeitou nesta semana um código de conduta para produção e uso dos biocombustíveis, dizendo que a proposta feita na reunião da FAO precisava ser estudada.

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