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Lula defende generosidade na relação entre países

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustentou a linha adotada pela diplomacia brasileira no relacionamento com as nações vizinhas e defendeu a generosidade nas relações entre países. Em entrevista à rede de televisão norte-americana CNN, gravada em 16 de março durante visita a Nova York e veiculada hoje, Lula destacou ainda a necessidade de respeito às tradições políticas de cada país, ao comentar um questionamento do apresentador sobre a Venezuela.

Redação com Agência Estado |

Quando o âncora do programa GPS da CNN, Fareed Zakaria, citou o que considera uma "reversão na democracia da Venezuela", Lula afirmou que "ninguém pode dizer que não há democracia na Venezuela" e lembrou que o governo do presidente Hugo Chávez foi legitimado em mais de um pleito. "Eu tenho quatro anos a menos que Chávez (no poder), ele passou por cinco, seis eleições, eu tenho duas eleições", observou. "Temos que respeitar as culturas locais de cada país, as tradições políticas de cada país. O Brasil tem feito muitos investimentos na Venezuela. Acredito que os Estados Unidos têm de ficar mais próximos da Venezuela, pois acredito que seria benéfico tanto para os EUA quanto para a Venezuela", acrescentou.

Lula disse que, quando passou pela Venezuela, recomendou a Chávez que ficasse mais próximo do presidente dos EUA, pois "seria uma oportunidade para estabelecer novos laços com os EUA". E "ele (Chávez) disse que gostaria", afirmou o presidente brasileiro. "Ninguém tem de concordar com tudo que o outro diz, mas em relações de Estado temos de entender que ajudamos uns aos outros fazendo desta forma. Temos de ser mais generosos", afirmou Lula.

"Aprendi isso com o boxe. Quando um boxeador nocauteia outro, não é aquele que cai que tem de abraçar o que ficou em pé. É quem está em pé que deveria abraçar quem está no chão. A economia dos EUA é maior, tem de fazer gestos de generosidade com seus vizinhos", argumentou o presidente, para então comparar a posição dos norte-americanos com o papel do Brasil na América Latina. Segundo Lula, "com uma economia do tamanho do Brasil temos de fazer gestos de generosidade para com nossos vizinhos, pois de outra forma eles teriam o direito de pensar que o Brasil é imperialista, que os EUA são imperialistas".

Cuba

Lula afirmou que, no encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama, no dia 14 de março, não pediu que os EUA acabassem com o embargo a Cuba. Mas, diante do apresentador, Lula classificou a barreira contra o país como absurda. "A única coisa que eu acho como cidadão e como presidente do meu País é que não há razão do ponto de vista sociológico, militar, político e muito menos econômico para manter esta barreira como existe desde 1960, 61, ou quando quer que seja. Obviamente isso vai depender da boa vontade de nossos irmãos em Cuba e também dos EUA", reconheceu.

Lula disse ainda que Obama é uma "figura especial" e acrescentou que, com tantos descendentes cubanos na Flórida, os EUA deveriam fazer um "gesto". "Se me perguntar qual gesto, eu não sei, não posso dizer. Mas não tem significado hoje, por causa de uma revolução em 1959, continuar com este embargo absurdo", sustentou. A entrevista, gravada durante visita de Lula a Nova York, foi veiculada hoje, em inglês.

G20

"Queremos ter influência muito maior na política mundial", disse o presidente sobre o papel que espera que o Brasil desempenhe. 

O presidente brasileiro acrescentou que busca maior representação para outros países em instituições multilaterais, reiterou que o Brasil quer uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e disse que o G-20 deve se consolidar como fórum de discussões globais por incluir uma gama maior de países do que o G-8.

"Queremos que as instituições multilaterais e instituições financeiras não sejam abertas apenas aos americanos ou europeus. (Falo de) instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional) ou Banco Mundial. Queremos abrir estas instituições para que outros países possam participar no centro da tomada de decisões", continuou Lula.

Questionado se o G-20 deveria também discutir assuntos como energia e mudança climática, Lula afirmou que concordava com esta avaliação e disse que o G-8, sem os Brics e outros, tem efeito limitado. "Muitos líderes políticos advogam em favor da ideia que deveríamos ter o G-8 mais outros, como um G-13. Dando minha opinião sincera, eu diria que acredito que o G-20 se tornará o principal fórum para que possamos discutir economia, questão climática, paz mundial, pois o G-20 é muito mais representativo, heterogêneo e representa (melhor) a geografia econômica e política (mundial)", observou.

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