O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou hoje seu apoio ao presidente da Bolívia, Evo Morales, e ao referendo sobre a nova Constituição do país, marcado para 25 de maio, como sendo uma demonstração democrática do colega. Ele chegou a comparar Morales ao líder negro Nelson Mandela, fazendo um paralelo entre o Apartheid e o boliviano.

"Tenho convicção de que o referendo sobre a nova Constituição será passo decisivo para a refundação democrática que está em curso na Bolívia. Ao antecipar esta decisão e se comprometer a apenas uma reeleição, o Evo está dando um exemplo a muita gente que já passou por aqui antes dele", afirmou Lula, em Puerto Suarez, cidade boliviana na fronteira com o Brasil.

O presidente brasileiro fez homenagens ao colega em seu discurso. "Quando comentam a vitória de um metalúrgico chegando à presidência, costumo dizer que o melhor é ver um índio fazer o mesmo, como ocorreu aqui", disse Lula, em cerimônia de inauguração de trecho rodoviário na Bolívia, que recebeu investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por estar na fronteira, Lula ganhou ainda mais a simpatia do público ao pedir para traduzirem sua fala "a gente humilde" que lá se encontrava.

Pouco antes de Lula discursar, o prefeito local, Aldo Clavijo, havia sido fortemente vaiado pelo povo presente na cerimônia - 500 pessoas, a maioria partidária de Morales - por ser oposicionista. No local do evento - cercado por cerca de 800 policiais (entre soldados do Exército e militares locais) -, quase não havia evidências da oposição a Morales. No entanto, um outdoor de apoio estrategicamente posicionado atrás da banda militar, apoiava o referendo.

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