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Lula critica governantes de duas caras em obras do S.Francisco

SÃO PAULO (Reuters) - Em visita a obras da transposição do rio São Francisco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que políticos de duas caras prometeram, mas não realizaram os trabalhos de transporte de água às regiões necessitadas do Nordeste. Lula, que justificou a visita como uma sinalização de que concluirá as obras, iniciou a viagem por Minas Gerais, passa pela Bahia e, em seguida, vai a Pernambuco.

Reuters |

Os pré-candidatos à sucessão presidencial Dilma Rousseff (Casa Civil, PT) e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) acompanham o presidente no trajeto. Outro pré-candidato, o governador Aécio Neves (PSDB-MG), fez uma aparição mais rápida.

"Essa obra foi pensada em 1847, ainda no tempo em que D. Pedro era o imperador brasileiro. Essa obra, quase 200 anos depois, não conseguiu andar para a frente, porque nós tivemos muitos governantes de duas caras, que prometiam fazer a obra em um Estado e não faziam", disse Lula no município de Buritizeiro (MG), primeira etapa da viagem, de acordo com texto divulgado pela Presidência da República.

Lula tratou Ciro Gomes como "companheiro" e justificou sua presença na comitiva presidencial pela participação do deputado no projeto do rio São Francisco, quando ocupou a pasta da Integração Nacional, entre 2003 e 2006.

O projeto, segundo dados do governo, pretende integrar o rio São Francisco às bacias de parte do Nordeste para assegurar a oferta de água em 2025 a cerca de 12 milhões de habitantes de 390 cidades do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte --os Estados mais afetados pela seca.

As obras estão orçadas em 6 bilhões de reais, segundo o Ministério da Integração Nacional.

Lula afirmou que não é possível usar a água do rio São Francisco sem antes recuperá-lo e citou ações como o reflorestamento para recuperar as matas ciliares e o tratamento de esgoto para evitar a contaminação do rio.

O governo prevê a conclusão de parte das obras, como tratamento de resíduos sólidos, no ano que vem. Outra etapa ficará para 2011.

"Certamente, eu não vou ver, no meu mandato, tudo aquilo que está sendo feito. Mas, certamente, ainda estarei vivo para fazer uma outra caravana pelo rio São Francisco para a gente poder ver o que vai acontecer", declarou o presidente, que termina seu mandato em 2010.

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