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Lula convida integrantes de fórum da ONU a conhecer favelas do Rio sem se embrenhar

No início de seu discurso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até prometeu evitar falar mal dos antecessores, mas acabou aproveitando a sessão de abertura do Fórum Urbano Mundial 5, no Rio de Janeiro, para criticar ¿os desmandos dos administradores do século 20¿, que preferiram investir em viadutos e pontes a executar programas de urbanização, saneamento básico e habitação. ¿A pequenez de muita gente que governou o meu País foi não perceber que a imagem mais digna não é um viaduto, mas uma criança poder brincar descalça na rua sem pisar no esgoto a céu aberto¿, disse Lula.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Ricardo Stuckert

Presidente Lula discursa no Rio de Janeiro

Ao discursar logo após uma longa fala da diretora-executiva da ONU-Habitat, Anna Tibaijuka, o presidente Lula pontuou sua apresentação com autoelogios a seu governo. Afirmou que não citaria números, e sim convidaria todos os visitantes a conhecer o que vem sendo feito no Rio e em outras cidades brasileiras em matéria de investimentos urbanos, sobretudo nas favelas.

No Brasil nunca se trabalhou tanto a urbanização das favelas e nunca se construiu tanta casa, sublinhou Lula, logo depois de dizer que evitaria falar em nunca na história deste País.

Lula citou capitais como Salvador, Recife e Fortaleza, mas destacou em especial o trabalho realizado na cidade anfitriã do encontro da ONU. Visitem as favelas do Rio e vejam o trabalho extraordinário que tem sido feito em urbanização e segurança, afirmou o presidente. Mas emendou: Só não se embrenhem em lugares que vocês não conhecem. Transitem como um cidadão normal, e nada vai acontecer.

O presidente disse que a combinação entre crescimento econômico e ganho de renda e qualidade de vida da população tem garantido benefícios aos mais pobres. A coisa mais barata e mais simples que um governante tem de fazer é cuidar da parte mais pobre de sua população, afirmou.

Lula também criticou alguns setores da imprensa, que segundo ele não veem ou não querem enxergar que está havendo um êxodo ao contrário: milhares de pessoas que estão migrando de volta para o campo. Para o presidente, esse movimento decorre das ações de seu governo: o programa de assentamentos (570 mil famílias assentadas, segundo ele), de agricultura familiar e luz elétrica para 12 milhões de brasileiros.

Estavam com Lula a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os ministros Márcio Fortes (Cidades), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Celso Amorim (Relações Exteriores), além do governador do Rio, Sérgio Cabral, e do prefeito Eduardo Paes.

Debate sobre urbanização

Organizado pelo Programa da Nações Unidas para Assentamentos Urbanos (ONU-Habitat), o Fórum Urbano Mundial, maior evento internacional de urbanismo, levou cerca de 16 mil participantes de 160 países à zona portuária do Rio. São especialistas, gestores públicos, organizações não-governamentais, parlamentares e profissionais do setor privado, que estarão até sexta-feira discutindo o tema em seminários, oficinas e painéis.

Na sessão de abertura, além de Lula, estavam o presidente da Uganda, Yoweri Museveni, o primeiro-ministro do Bahrein, Xeque Khalifa, o vice-presidente das Filipinas, Noli de Castro, e o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA, Shaun Donovan, além da diretora-executiva da ONU-Habitat, Anna Tibaijuka, que pediu um minuto de silêncio para as vítimas dos terremotos do Haiti e do Chile.

Essa é a primeira vez que o fórum acontece na América Latina. O tema este ano é O Direito à Cidade: Unindo o Urbano Dividido. Segundo a ONU, mais da metade da humanidade hoje vive em cidades.

Também na sessão de abertura foi lida uma mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Segundo ele, há uma urgente necessidade de novas abordagens, mais sustentáveis, para o desenvolvimento urbano, com cidades mais verdes e mais inclusivas, capazes de ajudar a combater as mudanças climáticas e a solucionar antigas desigualdades urbanas. Para Ki-moon, as condições de vida nos bairros mais pobres são uma "violação aos direitos humanos".

Favelas

Anna Tibaijuka lembrou alguns números sobre urbanização e favelização no mundo, alguns dos quais divulgados na semana passada. Como os números presentes no relatório Estado das Cidades do Mundo 2010/2011. O relatório informou que 227 milhões de pessoas deixaram de viver em assentamentos precários na última década , passando a fazer parte da cidade formal ¿ em outras palavras, os governos mundiais conseguiram superar a meta definida no Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, que previa melhorar a vida de pelo menos 100 milhões de habitantes até 2020.

A ONU adverte, porém, que o número absoluto de moradores de favelas aumentou de 776 milhões para 827 milhões entre 2000 e 2010. Ou seja, 55 milhões de novos moradores de favelas somaram-se à população urbana global desde 2000, segundo Anna Tijaijuka.

O mesmo estudo mostrou que o acesso ao saneamento básico tirou mais de 5 milhões de brasileiros da condição de favelização nos últimos 10 anos . Isso significou uma redução de 16% no número de brasileiros vivendo em assentamentos precários. Apesar da queda, o Brasil ficou abaixo da média de redução global ¿ 19,5%.

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