Lula cobra disponibilidade para alianças do PT paulista

Por Carmen Munari e Fernando Exman BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou as principais lideranças do PT paulista para debater a candidatura do partido no Estado em 2010 na quarta-feira. No jantar, confirmado por um integrante da sigla, Lula vai cobrar responsabilidade da legenda e a necessidade de construir alianças.

Reuters |

O PT-SP tem a dupla missão de montar um palanque forte para a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência, ao mesmo tempo em que tentará desbancar os tucanos, há 14 anos no comando do Estado.

Questionado sobre o encontro nesta terça-feira, Lula inicialmente tentou despistar, afirmando que não é membro da direção do PT e que não tem como se reunir para discutir programas estaduais. Em seguida, mandou recados à sigla.

"As pessoas sabem o que eu penso e portanto eu acho que o PT tem que ter uma ação de responsabilidade, saber qual é a força que nós temos em cada Estado, qual é a perspectiva que nós temos de fazer ou não aliança política", afirmou Lula a jornalistas.

Para um partido que hesita em deixar a cabeça de chapa para um aliado, Lula reiterou: "O PT já aprendeu, já tem 29 anos de história. O PT sabe que tem que fazer política de aliança para poder ganhar as eleições".

Será o primeiro encontro entre Lula e os petistas de São Paulo para debater a candidatura. Dentro da legenda, é sabido que a definição da candidatura depende da indicação de Lula.

Pelo menos dois cenários se apresentaram mais fortemente nos últimos meses. O possível apoio do PT ao deputado federal Ciro Gomes, do PSB do Ceará, e a aglutinação em torno do prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT).

Ciro, segundo um membro do comando petista, é visto por Lula como uma forte alternativa, que deve ser trabalhada dentro da legenda. O próprio Ciro declarou que foi procurado por petistas, entre eles o líder da bancada na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), e que não descarta a hipótese.

Se Ciro for mesmo a opção, o convencimento dos petistas que defendem uma candidatura própria, de acordo com a mesma fonte, terá de vir de Lula. "O presidente terá que entrar em campo", disse o dirigente à Reuters.

A decisão deverá sair até setembro, data-limite para Ciro trocar seu domicílio eleitoral para São Paulo.

Entre os nomes do PT, quem mais tem buscado apoio e visibilidade é o prefeito Emídio de Souza, que estará presente no encontro com Lula. Ele se coloca como uma alternativa a outros integrantes do partido e ao próprio Ciro.

Prefeito em segundo mandato, 50 anos, ele é ex-torneiro mecânico, foi sindicalista, três vezes vereador em Osasco e duas vezes deputado estadual. Recebeu apoio declarado a sua candidatura de 15 dos 19 deputados estaduais, que entregaram manifesto ao partido defendendo seu nome no mês passado.

Do lado do PSDB, também ainda não há definição. Estão no páreo o ex-governador Geraldo Alckmin e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira.

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