Ao abrir a primeira conferência nacional de segurança pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou responsabilidade de todos os governantes e da própria sociedade na condução da segurança pública no País, pregando que é preciso acabar com o jogo de empurra na busca de culpados pela violência. Mas, imediatamente, atribuiu o crescimento da violência aos vários modelos econômicos que foram empobrecendo parcela grande da sociedade para, em seguida, anunciar que a segurança não será mais tratada como coisa de segunda categoria, com aplicação de resto de dinheiro, mas, sim, como prioritária.

"Toda vez que acontece uma coisa grave de violência nós passamos meses e meses tentando responsabilizar ou encontrar culpado, se é o governo federal, estadual, a Polícia Militar, a Civil ou se temos de recorrer à Polícia Federal. É um jogo de empurra como se segurança pública fosse um cachorro que morre de fome porque todo mundo pensa que o outro deu comida e ele não recebe comida de ninguém", desabafou o presidente, advertindo que "a responsabilidade é de todos, coletivamente, e tem de envolver a sociedade brasileira.

Falando de improviso, Lula afirmou que "é preciso parar de dizer que violência no Brasil é porque a polícia é corrupta e melhorar a formação dos nossos policiais para que eles possam, cada vez mais se utilizem da inteligência e cada vez menos da força bruta". Na opinião do presidente, tem de se criar condições para quando o policial entrar em um lugar "ele não seja encarado como um inimigo da sociedade, mas como uma espécie de guardião, de parceiro daquela comunidade que está ali para manter a ordem e punir o que está fazendo a desordem".

Lula foi muito aplaudido ao defender melhores condições de trabalho e salário para os policiais. "Polícia e Deus é tratado do mesmo jeito. Tem muita gente que é ateu, mas só fala em Deus quando está em perigo. Com a polícia também. Gostam das polícia quando percebem que vão entrar em uma enrascada em algum lugar e dizem: ai que bom que o policial está aqui para me proteger". O presidente ressalvou, no entanto, que, se este policial não for bem formado, não tiver a sua casa ou estiver receber salário adequado este policial não conseguirá dar segurança nem para sua própria família.

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