O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou a visita que faria quinta-feira a um assentamento ligado ao líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, no Pontal do Paranapanema. A direção regional do movimento e o diretório petista em Teodoro Sampaio tinham prometido um boicote à visita de Lula.

Também foi excluída da agenda presidencial a visita às instalações de uma usina da Odebrecht, igualmente contestada pelo MST por utilizar terras pretendidas para a reforma agrária.

De acordo com o dirigente regional Márcio Barreto, o MST não aceita que o presidente prestigie José Rainha, que, segundo ele, é investigado por desvio de recursos dos assentados. "Ele (Lula) prestigia a banda podre, que foi afastada do movimento, e deixa a parte legítima de fora", reclamou.

Entre os assentamentos que Rainha controla está o Dona Carmen, administrado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e que Lula visitaria. A superintendência do Incra em São Paulo confirmou o cancelamento, porém não soube informar o motivo. José Rainha também foi informado, mas disse que houve apenas um adiamento. Ele não quis comentar o boicote do MST. De acordo com Barreto, o desagrado do movimento com a agenda de Lula na região chegou ao Planalto. "Ainda bem que o presidente teve bom senso", comentou.

O presidente manteve na agenda apenas a inauguração de obras do Programa de Aceleração Crescimento (PAC) em Presidente Prudente. O presidente Milton Carlos de Mello, o 'Tupã' (PTB) disse que o governo federal investiu R$ 60 milhões na canalização aberta de 12,2 milhões de fundos de vale na cidade.

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