Lula: cana no Pantanal desgasta imagem do País

Governadores que defendiam a plantação de cana-de-açúcar no Pantanal ouviram hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo uma fonte do Palácio do Planalto, a explicação de que cultivar o produto na região poderia custar muito caro para todo o setor. Lula se referia ao fato de que, com o plantio em regiões ambientalmente sensíveis, o País poderia sofrer desgaste internacional, e a comercialização do etanol brasileiro poderia ser prejudicada.

Agência Estado |

Dos nove governadores dos Estados da Amazônia Legal, apenas o de Roraima, José de Anchieta Júnior, não compareceu nem enviou representante ao encontro com Lula, no final da manhã.

A reunião, realizada antes da cerimônia de lançamento da proposta do governo para o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), tinha como objetivo iniciar as conversas a respeito da posição que o Brasil levará à Convenção Internacional sobre Mudança de Clima, marcada para dezembro em Copenhague (Dinamarca).

Segundo a fonte do Planalto, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, reclamou com o presidente que o Estado foi consultado pelo governo na formação do projeto de lei do ZAE Cana, mas que não havia sido contemplado, já que defendia o cultivo da cana na Bacia do Alto Paraguai, o que acabou sendo proibido. A fonte relatou que o presidente respondeu ter outra posição sobre o assunto.

O argumento apresentado por Lula foi o de que tanto Mato Grosso quanto Mato Grosso do Sul foram derrotados nesta questão, porque o governo entende que a área defendida para o cultivo da cana pelos governadores era muito pequena em comparação com as dimensões do território que ficará liberado para a plantação. Além disso, Lula fez a observação sobre as dificuldades e os riscos de se liberar o plantio em áreas ambientalmente sensíveis.

A mesma linha de raciocínio apresentada pelo presidente na conversa com os governadores foi tema do discurso da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante lançamento do ZAE Cana, na sede da Embrapa. De acordo com a ministra, um dos objetivos do ZAE foi o de deixar claro que, ao contrário do que frequentemente dizem alguns órgãos da imprensa internacional, não haverá plantio de cana na floresta amazônica.

"É óbvio que quem diz isso são os que não querem que o etanol brasileiro ganhe espaço, e o ZAE Cana será poderoso instrumento", disse a ministra. Apesar da expectativa em relação a um pronunciamento do presidente Lula durante o lançamento da ZAE, ele não discursou.

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