O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de inferno e humilhação o período em que o Brasil recebia visitas regulares de executivos do Fundo Monetário Internacional (FMI) com o objetivo de avaliar a evolução da economia brasileira e o cumprimento de acordos firmados pelo País com a instituição. O desabafo foi feito neste sábado, durante seu discurso no encerramento da Cúpula dos Países de Governança Progressista, realizada no Chile.

"Diziam que tínhamos de fazer ajuste fiscal, contenção de gastos... era um inferno", afirmou. "A gente via descendo do avião, no aeroporto, mulheres e homens do FMI dando palpites sobre o que tínhamos de fazer. Aquilo era uma humilhação", declarou, arrancando aplausos enfáticos dos presentes à solenidade.

Lula referia-se ao longo período que ficou conhecido como a crise da dívida externa, que atingiu a América Latina no começo dos anos 80 e que teve seus momentos mais tensos com as moratórias do México (1982) e do próprio Brasil (1987). Antes da atual crise financeira global, disse o presidente, "o FMI vivia dando palpites sobre as economias do Brasil e de outros países da América do Sul".

Lula, no entanto, também acusou governos anteriores de se submeterem ao FMI porque "não se respeitavam". "Talvez a insuficiência não fosse do próprio FMI, mas fosse insuficiência de nossos governantes, que não se respeitavam. E se eles não se respeitavam... ninguém respeita quem não se respeita."

Neste momento, disse ainda o presidente, o que o Brasil quer na reunião do G-20 é colaborar e que "os países ricos se normalizem internamente e restabeleçam o crédito." "Nós não estamos pedindo nada, não estamos chorando. Estamos pedindo apenas para normalizar a economia mundial."

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