Lula: Brasil e Argentina têm diferenças, não conflitos

É muito importante que o Brasil e a Argentina não vejam um ao outro como concorrentes, mas sim, como sócios. A declaração é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em entrevista ao jornal portenho Clarín, publicada hoje, reforçou sua intenção de aprofundar a integração política e comercial com o país vizinho.

Agência Estado |

Segundo o presidente, os dois países não devem encarar as eventuais divergências como "situações de conflito", mas sim, "como situações de diferenças".

Na entrevista, a primeira longa exclusiva que concede a um jornal argentino desde que chegou ao poder em 2003, Lula ressaltou que a Argentina está no meio de um processo de reindustrialização, após a grave crise de 2001-2002. "Em função desta realidade argentina, o Brasil tem consciência do papel que tem na Rodada Doha e de como combinar isso com a cooperação com Argentina para sua recuperação industrial. Por isso, não existe nenhuma possibilidade de que o Brasil jogue sozinho. O Brasil sabe que, quanto mais sua relação com a Argentina for harmônica e mais produtiva for, mais contribuiremos para fortalecer o Mercosul e a integração sul-americana". Segundo Lula, "a Argentina tem que olhar para o Brasil como um mercado de 190 milhões de habitantes, com o qual tem fronteira", afirmou o presidente, após destacar que neste ano o comércio entre ambos países chegará ao valor recorde de US$ 30 bilhões.

Em julho passado informações extra-oficiais indicaram que a presidente Cristina Kirchner esteve a ponto de renunciar após a derrota de seu governo no Senado. Na ocasião, por causa do voto de Minerva do vice-presidente Julio Cobos (que também é o presidente do Senado) o Senado derrubou o projeto de "impostaço agrário" de Cristina, que ficou politicamente debilitada.
Os rumores no âmbito político sustentaram que o presidente Lula havia telefonado a Cristina para dissuadi-la da idéia de renunciar. "Não. Não é verdade", disse Lula ao Clarín. "Olhe, o senso comum não me permitiria tal ousadia, semelhante interferência na política argentina. Não é verdade que Cristina Kirchner me ligou e que eu a chamei. Conversei com Cristina para prestar minha solidariedade mas nunca tive a imprudência de dar nenhuma impressão pessoal sobre a política argentina".

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