Preocupado com as divergências que têm impedido a montagem de palanques unitários entre o PT e o PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tomar as rédeas da negociação para enquadrar a seara petista e reduzir os impasses regionais até março.

O comando dos dois partidos marcou nova reunião para esta quarta-feira, na tentativa de definir um acordo de cavalheiros que acerte as regras do jogo em Minas Gerais - o segundo maior colégio eleitoral do País, depois de São Paulo - e faça a revisão dos principais imbróglios estaduais.

Lula está convencido de que é preciso reproduzir a dobradinha PT-PMDB no maior número de Estados para impulsionar a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Em conversas reservadas, ele tem dito que o PT manterá na disputa os governadores que podem concorrer à reeleição, mas deve ceder a cabeça da chapa, em nome da parceria, nos locais cobiçados pelo aliado federal.

"Não é compreensível para a sociedade essa história de dois palanques. Isso não existe", afirmou Lula em entrevista ao Estado, na semana passada. "O que vai acabar acontecendo é que Dilma não poderá ir a alguns Estados. Nem eu. Como eu posso ir na zona leste com um candidato e na zona sul com outro? Qual o discurso que eu faço? O que eu digo para o eleitor sobre qual o melhor? Não pode, fica muito desagradável."

Pouco antes da meia-noite de sexta-feira, Lula se reuniu com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), no Palácio da Alvorada, e prometeu se empenhar por palanques únicos. Foi obrigado a apagar o incêndio provocado na véspera, quando o PMDB ameaçou não comparecer no sábado ao ato de lançamento da pré-candidatura de Dilma, no 4º Congresso do PT.

"Não estamos impondo nada, mas, para o casamento se consolidar, os noivados estaduais precisam ser respeitados", insistiu o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "O governo não vai querer contratempo com o maior partido da coligação, que tem o maior tempo para oferecer na propaganda eleitoral." As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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