SÃO PAULO - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, nesta terça-feira, 24, que aprova o fato de a Polícia Federal (PF) estar investigando e prendendo pessoas ligadas a fraudes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Na última sexta-feira, a PF realizou sua maior operação do ano, a Operação João de Barro para desmontar um esquema de desvio de verbas do Programa. A ação envolveu mil agentes para cumprir 38 mandados de prisão e 230 mandados de busca e apreensão em sete Estados e no Distrito Federal.

Lula afirmou que a investigação da PF é um sinal de que queremos que cada real seja aplicado na obra contratada e que as obras precisam ter um acompanhamento.

Segundo a PF, o esquema de fraudes consiste na associação entre lobistas e empresários para ganharem licitações municipais de obras feitas com recursos de emendas parlamentares e financiadas por bancos oficiais. A partir daí, a obra é executada com materiais de baixa qualidade para viabilizar a sobra de quantia a ser desviada. Algumas casas, inclusive, estavam com metragem inferior à determinada no projeto original, informa a nota da PF.

Os projetos em que a investigação encontrou irregularidades já receberam R$ 700 milhões para sua execução e outros R$ 2 bilhões poderiam ter o mesmo destino.

"Vão para o inferno"

O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou que acha pouco provável que as denúncias sobre desvios de verbas de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sejam realmente relativas a projetos do programa.

Ele disse, em conversa com jornalistas após participar de um compromisso público, que fraudes com dinheiro público são inaceitáveis e que seus autores "vão para o inferno, com certeza".

Segundo o ministro, a liberação de dinheiro para obras do PAC não depende de tráfico de influência ou de lobby, porque os recursos não são contingenciados. Bernardo classificou como "graves" as denúncias de ocorrência de fraudes em licitações de obras públicas.

O ministro do Planejamento informou que o governo já acionou a Controladoria Geral da União e a Polícia Federal para investigarem as denúncias.

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