Lula afirma que se for preciso Exército sai da Providência

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não descartou, nesta quarta-feira, a possibilidade de retirar o Exército do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, após a participação de soldados na morte de três jovens da comunidade no último fim de semana. ¿Se for necessário (o Exército) sai, mas isso vamos discutir com calma para não tomar nenhuma atitude precipitada.¿

Redação com Agência Brasil |

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    De acordo com Lula, a presença do Exército no morro seria importante para garantir a segurança das obras do Projeto Cimento Social, que reforma telhados e fachadas das casas da comunidade. Vamos compreender que o Exército está lá porque todos entendíamos que seria mais tranqüilo para fazer aquela obra, completou.

    O presidente classificou de abominável o episódio. Não é possível que três jovens inocentes sejam vítimas de um ato que foi de uma pessoa que estava lá para colocar ordem. Ele também afirmou que o governo tem interesse em resolver o caso. O que vamos fazer agora é trabalhar para fazer justiça. O Estado tem que fazer uma reparação para aquelas famílias.

    As declarações de Lula foram feitas após a cerimônia de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil. Logo após, Lula se reúne com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que esteve ontem no Rio de Janeiro para acompanhar de perto os desdobramentos do caso. O presidente disse ainda que conversará com o ministro das Cidades, Márcio Fortes sobre o episódio. A presença do Exército no projeto Cimento Social, do Ministério das Cidades, chegou a ser questionada e ontem foi defendida em nota do exército.

    O caso

    AE/Marcos DPaula
    Policiais do Exército e moradores em confronto
    Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

    Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

    Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

    Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

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