Lula afirma que não tomará medidas para reduzir consumo

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que, entre as medidas que o governo tomará para combater a inflação, não está previsto o incentivo à redução do consumo das famílias de menor poder aquisitivo. Eu não vou diminuir o consumo neste país, porque se tem uma coisa que o povo pobre passou a vida inteira esperando é o direito de comer três vezes ao dia, o direito de entrar num shopping e comprar uma roupinha, comprar alguma coisa e isso nós vamos garantir. Vamos garantir, custe o que custar, disse a jornalistas.

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Sem fornecer detalhes, Lula disse que adotará as providências necessárias no combate à alta dos preços.

'Se alguém imagina que a inflação vai voltar, como já aconteceu no Brasil, pode tirar o cavalo da chuva, porque não vai voltar. Nós tomaremos todas as medidas que forem necessárias para que a gente mantenha a inflação controlada.'

Em relação à política de juros, utilizada contra a alta da inflação, Lula sugeriu uma elevação ao mencionar investimentos produtivos que não devem ter dificuldades de empréstimos uma vez que foram contratados no passado, a índices menores.

'Eu acho que esses investimentos de que eu estou falando não terão problemas com os juros porque já estão contratados, a taxa de juros já é outra, é só colocar as máquinas para trabalhar', afirmou.

O presidente enumerou investimentos de duas novas fábricas de papel e celulose que serão instaladas no Piauí e no Maranhão, além de outra que será ampliada na Bahia. Citou a possibilidade de outras siderúrgicas e refinarias e de um trem de alta velocidade, cujo leilão está previsto para março do próximo ano.

As declarações foram dadas em entrevista no Itamaraty, onde Lula almoçou com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide ainda nesta quarta-feira o rumo do juro básico do país.

No mercado financeiro, a maioria espera elevação de 0,50 ponto percentual, para 12,75 por cento ao ano, mas não se descarta um aumento de 0,75 ponto.

(Texto de Carmen Munari)

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