BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não há sinais para a adoção de medidas drásticas no Brasil por causa da crise financeira internacional. Até agora não existe nada que leve a gente a imaginar que o Brasil tem que tomar medidas drásticas.

Não há sinal algum", disse o presidente, em Toledo, na Espanha.

Lula reafirmou que o país tem um mercado interno com potencial e também US$ 207 bilhões em reservas internacionais para enfrentar as turbulências.

Segundo Lula, o setor agrícola também não tem o que temer com a crise. "É verdade que poderemos ter algum percalço qualquer, mas é verdade que no outro ano a gente tira a diferença".

O presidente criticou as agências que analisam o risco de investimento em um país por não terem elevado o grau de risco dos Estados Unidos. "Eu até agora eu não vi ninguém aumentar o risco do Estados Unidos e, de vez em quando, aumentam o do Brasil", reclamou.

Lula defendeu a intervenção do Estado para contornar a crise. "Quando o filho adolescente corre atrás de pai e mãe? Quando está com dor de barriga, precisando de uma grana, está doente. O Estado funciona mais ou menos assim", disse.

Para Lula, depois da turbulência, a operação do sistema bancário mundial terá de mudar e defendeu regulamentação do mercado financeiro. "Os bancos já ganham muito dinheiro investindo honestamente. Não precisa ganhar mais do que aquilo que é previsível ganhar. Não precisa fazer cassino. Quem quiser apostar, vai para Vegas [Las Vegas, nos Estados Unidos], não na economia", disse o presidente.

Na Espanha, o presidente Lula recebeu o Prêmio Internacional Dom Quixote de La Mancha, por ter contribuído para a promoção da língua espanhola no país.

Ele segue para a Nova Delhi, na Índia, onde participará da reunião do Fórum Ibas, grupo que reúne a Índia, o Brasil e a África do Sul.

(Agência Brasil)

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