Lula admite que apenas calendário sairá de reunião sobre clima

SÃO PAULO (Reuters) - Estimulador do encontro mundial do clima marcado para dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta segunda-feira que, se a reunião de cúpula não estabelecer metas de redução dos gases de efeito estufa, os líderes deverão acertar um calendário para atingir esse compromisso. Se todos não conseguirem colocar números e não estabelecerem metas, nós poderemos pelo menos assinar um documento político que comprometa, com calendário, que a gente vai resolver a questão das metas, disse Lula a jornalistas em Roma, após participar da cúpula sobre a fome mundial, em Roma.

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Ele cobrou mais responsabilidade dos Estados Unidos e da China na questão do clima, depois que o presidente Barack Obama e outros líderes mundiais decidiram adiar a elaboração de um acordo global que reduza os efeitos do aquecimento global.

"Os números que o presidente Obama apresentou são pequenos, diante da quantidade de emissões que os Estados Unidos têm emitido nesses últimos 200 anos, ou nesses últimos 150 anos. Ele tem que assumir mais responsabilidade", afirmou Lula.

O recuo dos países da região Ásia-Pacífico, anunciado no fim de semana, levou pessimismo às negociações do encontro de cúpula do clima marcado para dezembro em Copenhague.

Lula disse que o compromisso brasileiro de estabelecer uma meta entre 36,1 e 38,9 por cento de redução de emissões de CO2 está mantido e deve servir de incentivo aos demais países.

Ele manteve sua intenção de telefonar tanto para Obama quanto para Hu Jintao, presidente chinês, além do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, para tratar da cúpula do clima. Enquanto a União Europeia está mais próxima de um acordo, segundo Lula, a China tem maior proximidade com os países emergentes.

Na sexta-feira, o Brasil apresentou uma meta voluntária de reduzir em até 38,9 por cento as emissões de gases-estufa para 2020, uma medida vista por especialistas como importante para incentivar as negociações que estão travadas.

Lula, que afirmou que comparecerá a Copenhague, já havia cobrado no programa de rádio Café com o Presidente, pela manhã, que EUA e China assumam compromisso com a redução do efeito estufa.

(Texto de Carmen Munari)

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