Pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano, o cantor, compositor e vereador por São Paulo Agnaldo Timóteo (PR) conseguiu uma brecha, na quinta-feira, 4, na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cantar e conversar sobre ¿um pouco de tudo. Em pauta, temas como política, problemas sociais, enchentes e a juventude¿.

Tudo isso em 40 minutos de uma conversa ¿ informal, salienta o vereador ¿ em que o presidente dispensou o terno e a gravata e recebeu a visita, na sede provisória do governo, em Brasília, vestindo apenas uma camisa branca, de mangas compridas. 

Conversamos sobre a realidade que ele enfrentou em São Paulo, e ele ficou emocionado, relatou ao iG o vereador, no dia seguinte à audiência da qual saiu, segundo ele, babando.

Divulgação
O cantor Agnaldo Timóteo, entre Dilma e Lula, durante audiência "informal" em Brasília

No meio da conversa, entre elogios a Lula, Serra, Kassab e José Eduardo Arruda, governador preso e afastado do Distrito Federal, Timóteo faz uma pausa para atender outro telefonema: Você me dá licença um segundo para falar com o Raul Gil?.

Licença dada, o vereador, que acabava de anunciar sua intenção de se candidatar para deputado federal, engata a conversa com o colega apresentador.

Estou te falando, pô. Ele encheu sua bola. Sua e do Datena. Ele não mudou nada. É ainda o metalúrgico, ouve-se do outro lado da linha.

Ele, no caso, é o presidente Lula.

Ao desligar e voltar à outra linha, em que era esperado pela reportagem, ele explica: O Raul Gil quer levar o Lula no chapéu [programa em que o convidado tira ou não o chapéu para as personalidades que admira, ou não]. O Lula diz que não pode chegar lá, tirar chapéu pra todo mundo nem dar porrada. Agora, entrevista ele vai fazer.

Do encontro participaram também os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Franklin Martins (Comunicação Social), a quem somou-se, por instantes, a pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff , ministra da Casa Civil.

Fiquei decepcionado com ela. Achei que iria encontrar alguém de cara fechada, mas vi um sorriso mais bonito do que o da Elke Maravilha.

De olho na vaga para a Câmara, o vereador sugeriu ao presidente que criasse um programa de rádio e TV para falar, em horário nobre, com a juventude. Uma espécie de Voz do Brasil, mas apresentado por celebridades.

Uma pessoa matar a outra só porque a janela do ônibus está aberta, não pode. Precisamos que as celebridades, pessoas de elevado nível cultural e artístico, com credibilidade, falem com essas pessoas. Precisamos ser reciclados, até para parar de brigar no trânsito. E a juventude precisa ser aconselhada por esse senhor de 65 anos.

Timóteo, que já foi opositor e "confessa" não ter votado em Lula em 2002 ¿ por absoluto preconceito ¿ diz que agora canta em homenagem ao petista, hoje seu grande ídolo ao lado do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Mostrei para ele uma música que fiz sobre como ele foi recebido em São Paulo quando chegou aqui, relata.

O cantor confessa, porém, estar desapontado com outra liderança: o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para quem enviou uma salva de prata lindíssima desejando que ele tivesse em seu país o mesmo sucesso que Lula teve no Brasil.

Ele não me respondeu nada. Aí mandei uma mensagem para aquela apresentadora negra, como ela chama? Oprah [Winfrey], né? Mandei um CD meu e uma mensagem, mas ela também não me respondeu.

Apesar do desdém, o vereador não desiste. Quando o Obama vier ao Brasil quero cantar o hino dos EUA para ele. É um hino belíssimo, só para quem tem voz. O João Gilberto, por exemplo, não canta um hino desses, diz Timóteo, que já se candidatou também para fazer a música-tema das Olimpíadas do Rio em 2016.

Já gravei um CD com 14 músicas em homenagem ao Rio.

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