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Lula abandona paz e amor e parte para o ataque para poupar Dilma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro, no início da tarde deste sábado, que a fase Lulinha Paz e Amor ficou para trás. No início da tarde deste sábado, durante encontro da pré-candidata petista, Dilma Rousseff, com as seis centrais sindicais no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lula fez ataques diretos ao adversário José Serra (PSDB), zombou do slogan o Brasil pode mais adotado pelo tucano, comparou números de seu governo com o de Fernando Henrique Cardoso e poupou Dilma da tarefa de bater nos adversários, considerada desgastante por estrategistas de campanha.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

"Vou voltar à minha naturalidade e falar mal de alguém", admitiu Lula, logo no início de sua fala durante o encontro das seis centrais sindicais com Dilma no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

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Lula

Estrategicamente, Lula chegou a evento depois de Dilma

Lula chegou atrasado ao palanque montado para Dilma no sindicato, por volta das 13h20, quando Serra e as estrelas tucanas já haviam discursado no ato de lançamento da pré-candidatura tucana em Brasília. E demonstrou ter acompanhado atentamente cada palavra dita pelos adversários ao dizer que o momento "mais auspicioso" do evento do PSDB teria sido quando o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, defendeu as privatizações do governo Fernando Henrique. 
"Quem faz um discurso destes pode estar pensando que o melhor para o Brasil é entregar os dedos pois os anéis já se foram há muito tempo. Não podemos esquecer que a Petrobras era para ser privatizada. Petrobrax era para ser o nome", disse Lula.

Enquanto a imprensa noticiava que Serra recusava uma campanha na base do "nós contra eles", Lula reforçava a polarização usando como gancho o slogan "o Brasil pode mais".

Depois de comparar números de sua administração nas áreas de educação, criação de empregos e oferta de crédito com os de Fernando Henrique, Lula atacou: "Essa é a diferença entre nós e eles. Eles podem e nós fazemos. Quando eles falam que o Brasil pode mais eu digo que nós fazemos mais".

O presidente chegou a zombar do slogan tucano. "Nunca pensei que a inteligência do nosso adversário fosse copiar o slogan do (Barak) Obama. Não tiveram coragem de copiar na íntegra `nós podemos`", ironizou Lula. "Mas o Obama já disse que eu sou `o Cara` e eu respondi que não, vocês (o povo) são `os Caras`".

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Dilma tira fotos

Dilma tira fotos com populares ao chegar a evento no ABC

Foi só a partir da segunda metade do discurso que Lula começou a fazer referências a Dilma. Segundo ele, a pré-candidata petista deve fazer um governo melhor do que o seu. Do contrário, teria brigado pelo terceiro mandato.

"Eu quero que ela (Dilma) chegue como uma criança de fraldas limpas. Não quero que a Dilma seja eleita para fazer o que eu fiz. Se fosse para fazer o que eu já fiz teria brigado pelo terceiro mandato. Quero que ela seja eleita para fazer mais e melhor", disse Lula.

O presidente, no entanto, fez questão de diferenciar o "mais e melhor" petista do "Brasil pode mais" tucano. "A Dilma não será a candidata da defesa de teses abstratas. A Dilma será a candidata da autoafirmação de um governo que ela ajudou a construir".

Dilma também deu sinais de que acompanhou à distância os acontecimentos em Brasília e partiu para o ataque. Ela iniciou seu discurso pedindo um minuto de silêncio para as vítimas da chuva no Rio de Janeiro, "até porque São Paulo tem experiência em enchente". Serra havia feito o mesmo duas horas antes.

Em alguns momentos ficou evidente que a plateia prestava mais atenção em Lula, que autografava camisetas, do que no discurso da candidata. Quando alguém jogou uma camisa do Palmeiras para que Lula assinasse, Dilma precisou interroper o dircurso por causa do alvoroço. O líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, chegou a se levantar para pedir silêncio.

Em vez de elencar suas propostas de governo, Dilma listou seus lmites, o que não pretende fazer "de jeito nenhum". E partiu para o ataque.

O primeiro alvo foi Fernando Henrique. "Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro.  Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi", afirmou ela. Quando assumiu o governo, Fernando Henrique disse "esqueçam o que escrevi".

A ex-ministra da Casa Civil disse também que nunca fugiu da luta. "Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco".

A frase foi interpretada por muitos dos presentes como uma referência a Serra. Enquanto o tucano se exilou no Chile, fugindo da ditadura militar brasileira, Dilma partiu para a luta armada, foi presa e torturada.

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Lula causa alvoroço em evento com Dilma

Veja seis coisas que Dilma disse que nunca fará se for eleita:

"Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:

1. "Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco".

2. "Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático".

3. "Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes".

4. "Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro.  Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena".

5. "Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro".

6. "Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e  precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos. Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos".

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