Luiz Paulo Horta é eleito o novo imortal da Academia Brasileira de Letras

RIO DE JANEIRO ¿ O jornalista e crítico musical Luiz Paulo Horta, 65 anos, foi eleito nesta quinta-feira o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Horta vai ocupar a cadeira número 23, vaga desde a morte da escritora Zélia Gattai em maio.

Redação |

A votação foi a mais acirrada da história da ABL, já que 19 candidatos concorriam ao posto que foi de Machado de Assis, Jorge Amado e tem como patrono José de Alencar. Horta ficou na frente nos dois primeiros escrutínios, vencendo o cartunista Ziraldo no terceiro.

Por telefone, o escritor afirmou à reportagem do iG que está muito feliz com a decisão, mas confessou ter ficado nervoso nos momentos da votação. "A gente sempre fica (nervoso). Mas é uma alegria muito grande, tenho bons amigos por lá. Será muito bom conviver com eles", disse.

"Hoje é dia de festa", completou o mais novo imortal da literatura brasileira, acrescentando que a posse da cadeira 23 deve ocorrer em novembro.

De acordo com as regras da instituição, formada no total por 40 membros, o vencedor deve atingir pelo menos 20 votos. Se isso não acontecer, são realizadas até três rodadas na votação para que seja escolhido o novo acadêmico. Na eleição desta quinta-feira, aconteceu justamente isso. Horta foi vencedor em todas elas: 12 na primeira, 15 na segunda e 23 na terceira e última.

O presidente da ABL, Cícero Sandroni, comentou que a eleição, ao contrário das anteriores, não foi unânime, mas isso não quer dizer que tenha sido a mais disputada da história da casa, e sim que a academia tem mais visibilidade hoje do que antigamente. Segundo ele, o primeiro compromisso de Horta será apenas continuar trabalhando em sua obra.

"Horta é um jornalista que foi repórter, redator, editorialista e é um dos melhores críticos de música de todos os tempos. Além disso, é um teólogo, profundo conhecedor da bíblia, e isso faz dele um intelectual de primeiro plano. Sua votação foi expressiva e mostra o apreço de seus companheiros. Ele poderá contribuir muito para nossos programas musicais, assim como Nelson Pereira dos Santos nos ajuda no cinema", declarou o presidente.

A escritora e imortal Nélida Pinõn explicou que o resultado é a afirmação de que os acadêmicos de fato queriam a companhia de Horta. "Ele ter ganho no terceiro escrutínio prova que a academia não queria que o presidente declarasse a cadeira aberta. Sua vitória significa uma aprovação e um consenso moral."

Luiz Paulo Horta é jornalista, crítico musical e membro da Academia Brasileira de Música. Carioca nascido em 1943, Horta estudou piano e teoria musical nos Seminários de Música Pró Arte. Em 1970, começou a trabalhar como crítico do Jornal do Brasil e entre 85 e 90 foi o responsável pela seção musical do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na década de 90, iniciou o trabalho como crítico musical de O Globo, onde permanece até hoje.

Em 1983, publicou seu primeiro livro, "Caderno de Música", e em seguida editou o Dicionário de Música Zahar. Escreveu também "Guia da Música Clássica em CD", "Sete noites com os clássicos", Villa-Lobos, uma Introdução, além de organizar juntamente com Luiz Paulo Sampaio a edição brasileira do Dicionário Groove de Música.

Dos 39 acadêmicos, 30 estavam presentes ¿ os nove restantes, entre eles Lygia Fagundes Telles, Paulo Coelho e Alfredo Borges, votaram por carta. O resultado final contabilizou 23 votos para Horta, 11 para Ziraldo, três nulos, um branco e uma abstenção, de Ariano Suassuna.

* Reportagem de Henrique Melhado Barbosa e Anderson Dezan

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