Luiz Melodia encerra com muito samba primeiro dia da Flip

PARATY - O primeiro dia da 6ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terminou com muito samba e presença massiva do público. Luiz Melodia praticamente esvaziou as ruas do centro histórico e atraiu todo mundo para o palco montado ao lado da Praça da Matriz, mesmo com a concorrência forte da final da Libertadores da América. Os ingressos esgotados não impediram que a platéia se divertisse - como a estrutura da Tenda do Telão é aberta, o povo participou do lado de fora mesmo, dançando muito e conferindo com entusiasmo a performance de Melodia.

Marco Tomazzoni |

O aquecimento começou com o show de Luís Perequê, músico local que canta o dia-a-dia da vida caiçara. Tocando em casa, saiu ovacionado. Melodia, por sua vez, trouxe à Flip o repertório do álbum Estação Melodia , com músicas da era de ouro do samba. Com uma banda afiadíssima de oito integrantes, fez bonito interpretando "Eu agora sou feliz", "Tive Sim", "Fadas", "Rei do samba" e "Diz que fui por aí". Alinhado com a temática do evento, saudou o centenário da morte de Machado de Assis, o homenageado deste ano. Além disso, anunciou, junto com a diretora Karla Sabah, a realização de um documentário sobre sua vida. Um belo início para a Flip.

Aula machadiana

Crítico Roberto Schwarz na conferência de abertura (Foto: Divulgação/Gustavo Scatena)

A noite havia começado de fato com a conferência do crítico Roberto Schwarz sobre o romance "Dom Casmurro", na Tenda dos Debates. Na abertura, Mauro Munhoz, presidente da Associação Casa Azul ¿ ONG que promove a revitalização urbana de Paraty e é responsável pela organização da Flip ¿ deu início à festa comemorando a indicação da cidade como referência em turismo cultural no País e a aceitação pela Unesco de sua candidatura à patrimônio da humanidade.

Número um nos estudos da obra de Machado de Assis no Brasil, Schwarz deu uma verdadeira aula sobre um dos mais celebrados romances do escritor. Apesar de fugir pouco do texto que havia escrito e sem apresentar novidades para quem acompanha sua trajetória como crítico, Schwarz conseguiu ser didático para uma platéia heterogênea sem, no entanto, deixar de lado a profundidade.

Imersos em meia-luz, os espectadores acompanharam com silêncio respeitoso a abordagem do professor para a evolução da visão da crítica sobre o trabalho de Machado, passando de conservador romanesco a um contestador dos estereótipos patriarcais da sociedade. Os diferentes públicos que lotaram o principal espaço da festa exemplifica bem o que é a Flip: escritores e jovens estudantes dividiam os lugares com famílias inteiras (inclusive crianças de colo), atores globais e senhoras curiosas. É a democratização da literatura.

A Flip continua nesta terça-feira, agora com força total. Cinco mesas estão agendadas para o dia, que começa com um debate entre representantes da nova literatura brasileira. Confira abaixo a agenda:

10h -  Primeiro tempo, com Adriana Lunardi, Emilio Fraia, Michel Laub, Vanessa Barbara
11h45 - O espelho, com Elisabeth Roudinesco
15h - Retrato em branco e preto, com Carlos Lyra, Lorenzo Mammì
17h - Conversa de botequim, com Humberto Werneck, Xico Sá
19h - Sexo, mentiras e videotape, com Cíntia Moscovich, Inês Pedrosa, Zoë Heller

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