Lucro do BB desaba 29% com inadimplência e Nossa Caixa

SÃO PAULO (Reuters) - O lucro líquido do Banco do Brasil caiu 29,1 por cento no primeiro trimestre deste ano contra igual período de 2008, impactado por sensível aumento na provisão sobre inadimplência e incorporação de números do paulista Nossa Caixa, que teve rentabilidade negativa no período. A instituição, que concluiu a aquisição da Nossa Caixa no primeiro trimestre, encerrou o período com lucro líquido de 1,665 bilhão de reais, contra ganho de 2,347 bilhões de reais um ano antes.

Reuters |

A Nossa Caixa informou esta semana, prejuízo de 349 milhões de reais no primeiro trimestre, contra lucro de 114,9 milhões de reais um ano antes. O resultado, segundo o banco, foi influenciado por ajustes contábeis relativos à transferência do controle acionário ao Banco do Brasil.

Em relação ao quarto trimestre do ano passado, a queda no lucro do Banco do Brasil foi de 43,4 por cento.

A carteira de crédito total --incluindo carteira externa e prestação de garantias-- totalizou 254,4 bilhões de reais, alta de 41,3 por cento sobre o primeiro trimestre de 2008 e de 7,3 por cento contra os três últimos meses do ano passado.

Pelas normas da Comissão de Valores Mobiliários, a carteira de crédito encerrou o período em 241,9 bilhões de reais, crescimento de 40 por cento em 12 meses e de 7,6 por cento em relação ao quarto trimestre de 2008.

A carteira de pessoa física saltou 67 por cento, impulsionada por financiamento a veículos, que disparou 97,7 por cento, a 7 bilhões de reais; enquanto operações de crédito consignado tiveram um aumento de 44 por cento.

Os créditos à pessoa jurídica tiveram alta de 47,2 por cento, enquanto a carteira de agronegócio cresceu 13,7 por cento e a de financiamento externo avançou 40,3 por cento, a 14,73 bilhões de reais.

O Banco do Brasil registrou aumento em índices de inadimplência da carteira total. As operações vencidas há mais de 90 dias passaram de 2,4 no quarto trimestre para 2,7 por cento.

O banco elevou em 65 por cento a provisão para créditos de difícil recuperação (PDD) em relação ao primeiro trimestre do ano passado, para 2,654 bilhões de reais, mas em relação ao quarto trimestre, considerado o auge da crise financeira internacional, houve queda de 31,8 por cento.

A instituição teve receitas com prestação de serviços praticamente estáveis em relação ao primeiro trimestre do ano passado, avançando ligeiro 1 por cento, para 2,943 bilhões de reais. Na comparação com dezembro, o banco apurou queda de 3,7 por cento.

Enquanto isso, após a incorporação da Nossa Caixa, as despesas com pessoal dispararam 63 por cento, contra o registrado um ano antes, e 29,7 por cento em relação ao quarto trimestre, para 3,152 bilhões de reais.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio recuou de 43,5 por cento no fim de março de 2008 para 23,8 por cento nos três primeiros meses deste ano.

O banco encerrou o primeiro trimestre com ativos totais de 592 bilhões de reais, alta de 42,9 por cento sobre o ano passado.

(Por Alberto Alerigi Jr.; Edição de Vanessa Stelzer)

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