Loteamento de cargos consolida favoritismo de Temer

O loteamento dos 11 cargos da Mesa da Câmara está permitindo ao deputado Michel Temer (PMDB-SP) soldar a montagem de um bloco de 12 partidos comprometidos com sua candidatura à presidência da Câmara. É quase igual ao time de 14 legendas que dá apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a diferença de que o “blocão”, como já é conhecido, conta com os três principais partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS.

Agência Estado |

Para tanto, Temer tem assegurado aos dirigentes dos partidos postos-chave na Mesa. O PT, por exemplo, deixará a presidência por força de acordo feito há dois anos com o PMDB e ficará com a primeira vice-presidência. Com isso, caso a chapa vença a eleição, um representante seu será o segundo nome na Mesa do Congresso (Câmara e Senado reunidos, em sessão bicameral), o que garantirá ao partido que está na Presidência da República grande influência na hora da votação do Orçamento da União, entre outras vantagens asseguradas pelo cargo, como o de controlar todos os pedidos de informação feitos aos ministros.

Um exemplo de adesão ao “blocão” para a garantia de cargos ocorreu com o PDT. O partido tem 25 deputados. Até segunda-feira estava alinhado com a candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Mas, orientado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, também presidente licenciado da legenda, correu atrás de seu espaço. O deputado Mário Heringer (MG), que até o dia 31 liderava o chamado "bloquinho", formado por PSB, PCdoB e PDT, teve um encontro com Temer na segunda-feira.

Em nenhum momento escondeu ter recebido de Lupi a ordem de garantir ao PDT um lugar na Mesa Diretora, nem que seja um dos quatro suplentes. O cargo, mesmo na condição de só participar das decisões quando em substituição a algum secretário, é a garantia de gabinete, telefone, cotas de papel e de correio extras, além de dez assessores. “O ministro lembrou que o PDT tem de garantir seu espaço”, disse Heringer. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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