LOS ANGELES ¿ As lágrimas tomaram conta das pessoas aglomeradas no lado de fora do hospital onde morreu a lenda do pop, Michael Jackson, morreu na noite de quinta-feira.

"Ainda não posso acreditar que perdemos o melhor artista que o mundo já viu", comentou, emocionada, Lana Brown, de 49 anos, que se declara a "maior fã de Jackson".

Ela estava visitando a família em Los Angeles quando soube da notícia e foi direto para o hospital UCLA, como centenas de outras pessoas, na esperança de ver seu ídolo sair recuperado.

"A gente achava que o Michael ia viver para sempre, como Peter Pan", afirma Yoshiko Plair, com um girassol na mão e usando a camiseta de "Thriller", outra fã que deixou tudo que estava fazendo para correr para a porta do hospital.

"Ele transformou a música. Ele é responsável pelo fato de ter tantas músicas de negros na MTV agora", explicou Plair, agente imobiliária de 49 anos. "Acho que vou chorar pelo resto de minha vida".

A estudante Ashley Leon, de 20 anos, também se deslocar para o hospital tão logo soube da notícia. "Eu cresci com a música dele", se limta a comentar.

Dan Alvillar, de 31 anos, dirigiu durante uma hora vindo de Orange County para prestar tributo a Jackson. "Fiquei devastado. Hoje provavelmente é um dos dias mais tristes da minha vida".

A maioria não queria comentar os escândalos da vida do ídolo.

"Sabemos que estava louco, mas é o Michael Jackson", resumiu Ashley Leon.

Lana Brown é mais enfática: "Todas as acusações não me interessam porque eu sei que não eram verdade".

A dor da morte do ídolo percorreu o país de ponta a ponta, com os fãs prestando sua homenagem com uma explosão de música e dança. Diante do teatro Apollo, no Harlem, o rei do pop foi festejado como um mito que viverá para sempre.

"É o nosso Elvis", grita Shelley López em meio a uma homenagem espontânea na rua 125, diante do teatro que é um templo histórico da música negra, e onde milhares de pessoas se entregaram às lágrimas e à emoção.

"In Memoriam, Michael Jackson, uma verdadeira lenda do Apollo", indicava o letreiro luminoso do teatro onde se apresentara os "Jackson Five". O teatro estava fechado, mas o espetáculo se improvisou na rua.

As pessoas, em sua maioria negros, se abraçavam e cantaram até tarde da noite.

Jacqueline Wade, moradora do Harlem, no entanto, não estava chorando e até sorria. Ela explicou por quê: "Sei que agora, em algum lugar, Jackson está entre John Lennon, Elvis Presley, James Dean e Marylin Monroe".

Horas antes, na Times Square repleta de turistas e curiosos, um dos muitos anúncios luminosos gigantes anunciava, inexorável: "Michael Jackson morre aos 50 anos".

Chantal de Roy van Zuydewijn lê a notícia sem conseguir acreditar. "É uma lenda, é um gênio", diz a turista holandesa de 28 anos, que tinha entrada para um dos shows de retorno que o artista ia dar em julho.

Amanda Solenne tem apenas 16 anos, mas a morte do artista também a abalou. "Não chorei, mas é algo muito deprimente", afirma.

Como os outros fãs do artista, turistas e curiosos, o produtor Jay Coleman, que representou o artista nos anos 80, ficou sabendo da notícia da morte através de um dos telões da Times Square,

"As expectativas dos fãs é que Michael Jackson voltaria a ser tão grande como no passado. E ele era um perfecionista, e se envolvia a fundo na preparação de um show; cada detalhe era muito importante para ele. Preparar-se para um show dessa envergadura é muito estressante", declarou à AFP

A devoção incondicional do público e a mania de perfeicionismo do artista talvez tenham custado a vida do ídolo, mas talvez seja isso que vai reafirmá-lo como um mito imortal ante a posteridade.

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