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Longe do grande público, filme Lula, o filho do Brasil tem primeira exibição nesta noite

BRASÍLIA - O filme ¿Lula, o filho do Brasil¿, emocionante longa metragem de 128 minutos sobre o menino pobre, que saiu do Nordeste num pau de arara, e virou presidente da República, será exibido publicamente pela primeira vez nesta terça-feira. O menino teve um grande destino; o filme também não quer pouco: quer emocionar plateias e influenciar na sucessão presidencial.

Matheus Leitão, iG Brasília |

A exibição será uma sessão de gala do  festival de cinema de Brasília para 1300 convidados, mas não contará nem com a estrela principal, Lula, nem com a pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. Os principais ministros também não pretendem comparecer. O governo não quer fazer um evento político na estréia, mas tem todo interesse que o Lula, o filho do Brasil seja uma bilheteria de sucesso.

Divulgação

Com estreia marcada só para janeiro, "Lula, o filho do Brasil" rouba atenção em Brasília

A produção do filme, aconselhada pelo governo, não quis que o longa metragem concorresse no festival para evitar o público comum. Nada contra a película, o medo é da plateia. O público do festival de cinema da capital é conhecido por protagonizar cenas constrangedoras a diretores de filmes, atores e homenageados das telas. Vaias uníssonas durante exibições dos filmes em cartaz - ano após ano - tornaram o evento um dos mais temidos do País. Poderiam agora receber uma sonoridade a favor, mas melhor não arriscar.

O Palácio do Planalto nega qualquer temor de expor o presidente a um público crítico, ou mesmo a uma lista fechada de convidados como é a festa de hoje. Mas interlocutores do governo afirmam que não seria apropriado a aparição do presidente no Teatro Nacional, mesmo que sua popularidade bata recorde atrás de recorde de aprovação. Lula, como explicou um auxiliar próximo, escolheu chorar sozinho e deverá assistir ao filme no próximo dia 28 em São Bernardo do Campo, com familiares e amigos próximos.

Mas qual o interesse político na estreia do filme a onze meses da próxima eleição e quando a campanha já está nas ruas? O publicitário Duda Mendonça, marqueteiro de Lula na campanha de 2002, gostou do filme, deu sugestões ao diretor Fábio Barreto, mas não gosta de falar em público sobre o tema. Tem confidenciado a amigos que será, sim, uma arma política para 2010. Não tem exageros. Não passa do ponto. Vai até o Lula sindicalista, não entra no Lula político, diz.

Mais do que isso. Para um petista histórico,  será a cereja no bolo na hora de cristalizar a imagem do presidente Lula como fora de série, um brasileiro que superou todas as dificuldades para se tornar um vitorioso. É importante para o eleitor visualizar a importância histórica da chegada de Lula no poder e manutenção de seu projeto, afirma.

Tudo para que o presidente consiga eleger o seu sucessor e confirme a aprovação do seu governo nas urnas. Por isso algumas partes mais incômodas da sua biografia foram deixadas de lado, como o namoro com Mirian Cordeiro, mãe de sua filha Lurian. Outros episódios ¿ como aquele em que os grevistas matam um empresário, lançando-o do alto da fábrica - foram tratados de forma a não causar constrangimentos ao herói.

Quando aquele menino entrou no pau de arara com a mãe Lindu e seus irmãos ninguém imaginaria o improvável destino reservado a ele. Mas os idealizadores do filme sabem o que querem de sua obra. Primeiro o filme arrebanhou um rico financiamento. Que empresário negaria patrocínio a uma biografia do presidente da República no exercício do cargo?  Além disso, o longa foi feito deliberadamente para emocionar e para que pessoas comuns possam se espelhar e sonhar. Sendo assim, tenta ter um efeito político.

Seu vitorioso personagem tem uma interpretação própria do fim do roteiro: acha que a consagração final da sua atuação como governante virá se ele eleger seu sucessor. Ou sucessora. O filme vem bem na hora de fortalecer o mito que já está no trabalho de arrebanhar votos.

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