Longe do fim

Posso adiantar que esta guerra está longe do fim e pode terminar antes de ser resolvida questão por intervenção da comunidade internacional. Israel, pelas evidências, aprendeu importante lição na guerra com o Hezbolla ocorrida há dois anos. Tinha os alvos estudados para a hipótese de ter de agir. Os armazéns de armas e arsenais estão sendo atingidos. Os túneis entre Sinai e Gaza, utilizados para contrabando de armas, foram eficazmente bombardeados.

Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel |

Ainda restam inúmeros depósitos que são protegidos por habitantes acima do solo. Sabe-se que tais civis vêm sendo prevenidos por telefonemas de Israel pedindo para que se retirem. Sei de até 15 minutos de aviso prévio. Não é problema falar com Gaza, pois o sistema telefônico é o israelense. Basta saber que números discar.

A maior parte das vítimas têm sido de simpatizantes do Hamas. Há anos, lembro, falou-se no Brasil de massacre em Nablus. Fui ver, e verifiquei ser informação. Estou aqui como jornalista brasileiro. Não caio em propaganda de lado algum.

Há minutos, captei em emissora de televisão israelense que a tropa do Hamas, com guerreiros motivados e treinados para morrer sem jamais se entregar, está bem protegida e inteira. Estão à espera que a tropa israelense invada para lhes impor pesadas perdas. Obstáculos a blindados, armadilhas cuidadosamente construídas e estão prontas.

O Hamas aprendeu com o Hezbolla e o Irã. Tem organização militar, comandantes preparados, Estado Maior em subterrâneos. Mao Tze Tung, o comandante da revolução chinesa, ensinou que a guerrilha deve ser como peixe na água. O problema é que ela se mistura ao povo quando luta em terreno urbano. Diferenciar o guerrilheiro do cidadão ou cidadã pacifica só acontece quando ele atira.

Israel tem autorizado a passagem de centenas de caminhões carregados de gêneros e medicamentos. É fato que a mídia não noticia. Ainda se pratica a antiga definição de notícia como sendo quando o homem morde o cachorro. Às vezes, vou saber pela imprensa estrangeira os grande feitos do Brasil. Soube de admirável trabalho de assistência técnica da Embrapa pelo mundo. E não sou dos que simpatizam com o governo Lula ¿ que passará como todos os outros. A Embraer, empresa que me envaidece, terá um de seus maiores aviões empregado por Israel. A tropa da selva brasileira é estudada em todos os cantos. Não são obras de um só governo, são das instituições nacionais.

Esta guerra exige tempo para forçar o Hamas a pedir um cessar-fogo. O Hamas, cuja liderança militar está na clandestinidade, e a política, na Síria, não terminará sem uma atitude que castre seu poder. E a imposição da comunidade internacional só será bem sucedida se significar garantias aceitáveis de que o Hamas não se proclamará vitorioso. A derrota interessa a Israel, mas também ao Egito, Arábia Saudita e outros.

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