SÃO PAULO ¿ Mais de 60 produções brasileiras, entre filmes de ficção e documentário, serão exibidas pela primeira vez ao público nesta 33ª Mostra Internacional de São Paulo. Entre novidades de diretores consagrados, como Marcelo Gomes, Karim Aïnouz, Daniela Thomas e Beto Brant, estão estreias de cineastas promissores, caso de Esmir Filho e seu Os Famosos e os Duendes da Morte e o ator Marco Ricca, que debuta atrás das câmeas com o filme Cabeça a Prêmio. Veja abaixo alguns destaques deste ano.



"Natimorto"
Depois de "Cheiro Ralo", outro romance de Lourenço Mutarelli chega aos cinemas, novamente com o próprio autor entre os nomes do elenco. Desta vez, no entanto, Mutarelli é, ao lado de Simone Spoladore, protagonista de "Natimorto". Ele interpreta um produtor musical, fumante inveterado, que se encanta com uma jovem cantora que chega a São Paulo. Isolados em um quarto de hotel, os dois desenvolvem uma relação doentia, guiada pelo futuro vislumbrado nos versos dos maços de cigarro.

"Antes que o Mundo Acabe"

Adaptação do romance adolescente de Marcelo Carneiro da Cunha, o filme segue a mesma linha. No interior gaúcho, Daniel, 15 anos, se vê às voltas com a namorada indecisa, um amigo acusado de ladrão e as recém-chegadas cartas de um pai fotógrafo que nunca conheceu. É o primeiro trabalho em longa duração de Ana Luiza Azevedo, curta-metragista premiada e assistente de direção de Jorge Furtado. "Antes que o Mundo Acabe" conquistou seis prêmios no Festival de Paulínia, entre eles melhor direção e melhor filme segundo a crítica.

"Hotel Atlântico"
Após quase uma década, a diretora Suzana Amaral, aos 77 anos de idade, volta à carga com seu terceiro longa-metragem, uma adaptação do romance de João Gilberto Noll. Espécie de road-novie sustentado por uma narrativa experimental, "Hotel Atlântico" mostra o Artista, um ator desempregado, e suas andanças pelo sul do País. No elenco, Júlio Andrade, João Miguel, Mariana Ximenes, Gero Camilo. O filme de estreia de Suzana, "A Hora de Estrela" (1985), premiado no Festival de Berlim, participa da Mostra de São Paulo com cópia restaurada.

"Insolação"
Aguardada estreia no cinema de Felipe Hirsch ¿ à frente da Cia Sutil de Teatro em peças como "A Vida É Cheia de Som e Fúria" e "Avenida Dropsie" ¿ e de Daniela Thomas, parceira de Walter Salles em "O Primeiro Dia" e "Linha de Passe", "Insolação" foi um dos representantes brasileiros no último Festival de Veneza. Livremente inspirado em contos russos do século 19, narra histórias de diversos personagens, velhos e jovens, que vagam em uma cidade vazia em busca do amor. Entre eles, Paulo José, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Maria Luisa Mendonça e Leandra Leal.

"Os Famosos e os Duendes da Morte"
Famoso pelo webhit "Tapa na Pantera" e por curtas como "Saliva", o diretor Esmir Filho vem surpreendendo com seu primeiro longa-metragem, o curioso "Os Famosos e os Duendes da Morte". Um garoto de 16 anos, fã de Bob Dylan, entra em contato com o mundo por meio da internet, no interior do Rio Grande do Sul, e assiste aos vídeos de uma misteriosa garota no YouTube. O filme participou da competição do Festival de Locarno, na Suíça, e ganhou o prêmio de melhor filme do Festival do Rio, há poucas semanas.

"Plastic City ¿ Cidade de Plástico"
Uma coprodução entre Brasil, China e Japão, "Plastic City" une atores brasileiros ¿ Tainá Müller, Milhem Cortaz e Phellipe Haagensen ¿ a astros orientais. Escrito por Fernando Bonassi ("Cazuza", "Carandiru"), retrata as atividades escusas da máfia chinesa, a Yakuza, em uma São Paulo que foge um pouco da realidade, onde neva e há um porto. Efeitos digitais e lutas com espadas de samurai completam o quadro. O filme disputou o Leão de OUro no ano passado, em Veneza.

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo"
Segundo representante brasileiro no Festival de Veneza, "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", de Marcelo Gomes ("Cinema, Aspirinas e Urubus") e Karim Aïnouz ("Céu de Suely") borra as fronteiras entre ficção e documentário e mergulha no sertão nordestino. Através da voz do ator Irandhir Santos ("A Pedra do Reino"), conhecemos as memórias de geólogo enviado para realizar uma pesquisa de campo que se identifica com o isolamento da paisagem e sofre com a saudade da ex-mulher. O filme ganhou o prêmio de direção no Festival do Rio.

"Belair"
Durante os cinco meses em que existiu, em 1970, a produtora Belair realizou nada menos do que sete filmes. Radicais, levando a estética do cinema marginal ao limite, os sócios Júlio Bressane e Rogério Sganzerla não encontraram apoio nem do público nem da censura e acabaram no exílio. Por conta disso, longas como Sem Essa Aranha e "Cuidado, Madame" caíram no ostracismo. O documentário "Belair" recupera essas história pelas mãos de Noa Bressane ¿ filho do próprio ¿ e Bruno Safadi.

"Cabeça a Prêmio"
Estreia de Marco Ricca na direção de cinema, após uma larga carreira nos palcos e na frente das câmeras. "Cabeça a Prêmio" se passa na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia, onde os personagens parecem ignorar a lei. Contrabando, tráfico, traição e sequestro passam pela trama, que teve supervisão de Marçal Aquino. No elenco estrelado, Alice Braga, o argentino Daniel Hendler ("Leis de Família"), Fúlvio Stefanini, Otávio Muller, Eduardo Moscovis e Cassio Gabus Mendes.

"Caro Francis"
Irreverente, polêmico, sincero, crítico. Jornalista inovador, Paulo Francis (1930-1997) marcou toda uma geração na imprensa diária brasileira, tanto impressa quanto televisiva. Através de diversas entrevistas, o diretor Nelson Hoineff tenta traçar um painel plural e sincero de Francis, o homem por trás da figura pública.

"Domingos"
Autor de mais de 20 peças de teatro e com uma celebrada carreira cinematógrafica, Domingos de Oliveira é um dos grandes nomes do cinema nacional ¿ o clássico "Todas as Mulheres do Mundo" (1967) e os recentes "Separações" (2002) e "Juventudade" (2008) são alguns exemplos. O documentário, estreia na direção da atriz Maria Ribeiro, celebra os mais de 70 anos de Domingos com um apanhado de suas frases feitas sobre a vida e o amor, cenas de filmes, família e cineastas que marcaram sua trajetória.

"O Amor Segundo B. Schianberg"
Concebido inicialmente como uma minissérie para a TV Cultura, exibida ao longo deste ano, "O Amor Segundo B. Schianberg", de Beto Brant, foi reeditado em sua transposição para o cinema. Marina Previato e Gustavo Machado interpretam um casal e a construção de sua relação amorosa ao longo de três semanas em um apartamento de São Paulo. O filme é mais uma parceria de Brant com Marçal Aquino, cujo livro "Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios" inspirou o roteiro.

"Sequestro"
Ao longo de quatro anos, uma equipe de filmagem acompanhou pela primeira vez os bastidores e o dia-a-dia das investigações da Divisão Antissequestro de São Paulo. Só nesse período, 1.500 pessoas foram sequestradas no Brasil, 386 delas na capital paulista. O documentário de Wolney Atalla mistura entrevistas inéditas com vítimas, sequestradores e policiais, intercaladas com cenas das ruas na maior cidade da América Latina.

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