Lojas vendem produto com amianto em São Paulo

A Vigilância Sanitária de São Paulo realizou no início do mês uma fiscalização em lojas de materiais de construção de 24 cidades para monitorar o comércio de produtos feitos à base de amianto. O uso dessa matéria-prima, considerada nociva à saúde, está proibido no Estado desde 2008.

Agência Estado |

Ainda assim, 54 dos 79 estabelecimentos inspecionados estavam irregulares. Segundo a diretora da Divisão de Saúde do Trabalho da Visa, Simone Alves dos Santos, as cargas foram interditadas e deverão ser devolvidas pelos lojistas aos fabricantes ou descartadas em aterros apropriados.

Entre outubro de 2008 e outubro de 2009, a Visa inspecionou fábricas que utilizavam a substância no Estado. Das 19 cadastradas no Ministério do Trabalho, afirma Simone, apenas duas não suspenderam o uso - uma no município de Leme e outra em Hortolândia. Elas tiveram a produção interditada até realizarem a substituição por fibra alternativa.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias e Distribuidores de Produtos de Fibrocimento (Abifibro), João Carlos Duarte Paes, diz que, embora o número de lojas fiscalizadas seja pequeno, a iniciativa tem uma função educativa. “Muitos desses comerciantes provavelmente ignoravam a legislação estadual que proíbe a produção e o comércio de produtos contendo amianto. A autuação fará com que os demais também se adequem”, diz.

Embora represente empresas do setor que mais utiliza amianto no País, a Abifibro defende a adoção de fibras alternativas. Muitos fabricantes, no entanto, alegam que o custo de produção aumentaria cerca de 40%, o que causaria desemprego. “Hoje as fibras alternativas estão mais acessíveis e representam uma elevação entre 10% e 15% do custo apenas, valor que não justifica colocar em risco a vida dos trabalhadores dessas empresas”, afirma Paes.

O amianto é uma fibra natural muito usada na fabricação de telhas, caixas d’água, divisórias e pastilhas de freio para carros. Seu uso foi banido em 48 países, pois a exposição à substância durante o processo industrial está relacionada a doenças como asbestose (fibrose pulmonar), câncer de pulmão e do trato gastrointestinal. Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul também proibiram o uso do amianto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE

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